Por que ir a shows internacionais no Brasil custa caro?

Paul McCartney, Bruno Mars, John Mayer, Coldplay e U2 são os principais artistas confirmados em solo brasileiro para o segundo semestre. Muitas outras atrações internacionais, como Aerosmith, Bon Jovi, The Who e Guns n’ Roses, estarão em festivais como Rock in Rio e São Paulo Trip. O valor dos ingressos, no entanto, é pesado. Não é qualquer fã de rock ou pop que consegue ir a todos os eventos. Mas por que esses ingressos são tão caros no Brasil? Essa pergunta pode ser respondida por diversos fatores. Tratamos aqui alguns deles. As empresas responsáveis pelo evento – produtoras – ficam encarregadas de cobrir todos os custos dos artistas, desde transporte dos equipamentos e montagem de palco, até os pedidos mais bizarros para os camarins. Para a venda de milhares de ingressos, as produtoras contratam outras empresas especializadas em vendas online. E onde que essas empresas ganham? Cobrando taxas de serviço de 10% a 20% em cima do valor do ingresso comprado. A única solução para fugir dessa taxa é a de comprar o tíquete pessoalmente na bilheteria oficial do evento. Além disso, existem os impostos. Impostos sobre serviços e importações são os mais comuns para esse tipo de mercado e consequentemente, o preço aumenta para o consumidor. Sabe-se que os artistas, em sua maioria, cobram seus cachês em dólar. Ultimamente, a taxa de câmbio entre o real e o dólar está subindo, fazendo com que se precise de mais reais para pagar um cachê. Porém, parece que o câmbio não é o principal motivo para preços tão salgados. Veja, abaixo, a comparação entre os preços dos setores mais baratos em São Paulo e em Nova York: ingressos03 Quando se olha para os valores inteiros dos ingressos e os compara com os de Nova York, nota-se uma grande diferença entre o preço cobrado pelos ingressos mais baratos. Observando-se os valores de meia-entrada, os preços dos ingressos são muito semelhantes nas duas cidades. Um dos motivos para essa diferença é o benefício da meia-entrada para estudantes, idosos e professores, que encarece a inteira dos demais. Você pode entender o porquê clicando aqui. Não é comum esses artistas virem fazer shows no Brasil. Lá fora, esses shows rolam com muito mais frequência. Nota-se que a quantidade de ingressos disponíveis é limitada e, quando o show é anunciado, os brasileiros estão muito dispostos a ver e ouvir seus ídolos: madrugam na internet para a compra online, fazem filas nas bilheterias e mais filas dias antes dos shows. Assim, a curva de demanda – que depende dos consumidores - cruza com a curva de oferta vertical (a quantidade de ingressos é fixa) em um ponto mais alto, aumentando os preços. ingressos02 Além dos fatores que já foram listados, mais ligados ao custo de oferecer o produto, o que também contribui para a formação do preço do ingresso é a baixa concorrência em relação a esses shows aqui no Brasil. Que tipo de evento pode ser substituído por um show do Paul McCartney em São Paulo? Esses eventos no país costumam parar a cidade. Já em Nova York, se um morador quiser aproveitar seu tempo livre com entretenimento, mas não quiser ir ao show de um desses artistas, as oportunidades são enormes: pode-se ir a um musical na Broadway, a um show de outro artista de grande prestígio no cenário musical ou a um grande evento esportivo, como os jogos de basquete que ocorrem com muita frequência. Outra variação no preço relacionada à oferta e demanda é a cobrança de valores diferentes no mesmo show de acordo com o setor da plateia. As produtoras de shows separam a plateia em setores, de forma que cada tipo de ingresso tem um preço e dá acesso a um ou mais setores. Qualidades desejáveis de um setor – como proximidade do palco ou conforto – são vendidas por ingressos mais caros. Essa diferenciação de preço não tem a ver com o custo do show, apenas com a possibilidade de oferecer produtos diferentes e cobrar preços diferentes, dado que há demanda.   ingressos01 Olhando para o último gráfico, vê-se que a porcentagem de um valor de ingresso sobre o salário mínimo em Nova York é pequena, sendo de 2% a 4%. Já no Brasil, o valor cheio do ingresso mais barato chega a cobrir 35% do salário mínimo do brasileiro. Isso diz bastante sobre o público presente nos shows: pessoas com mais renda. Ou seja, apesar de um cenário econômico crítico no país, os shows continuam ocorrendo de maneira grandiosa e cara. Dessa maneira, o que se resta a fazer para comparecer a esses grandes eventos é se organizar e – principalmente – economizar. Mesmo assim, é preciso contar com a sorte: quando esses eventos são lançados, tem-se pouco tempo para se comprar ingressos antes que eles se esgotem. E para quem não quer gastar de 25% a 35% de um salário mínimo em um ingresso, por que não pensar em um programa alternativo? Assistir a um show pela TV em casa com os amigos também é divertido – e quase de graça! Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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