O que é um modelo?

Para guiar suas análises a respeito de fenômenos do mundo real, os economistas lançam mão de teorias expressas na forma de modelos. Um modelo é uma construção abstrata que visa descrever, em linguagem matemática, partes específicas do complexo mundo socioeconômico a nossa volta. É uma ferramenta de trabalho formal, em espírito muito similar aos modelos empregados pelos físicos.

Por que recorrer a modelos? Os motivos são basicamente dois. Primeiro, devido à complexidade do mundo real, onde zilhões de variáveis estão em constante interação, seria impossível estudar qualquer tema socioeconômico relevante sem recorrer a simplificações/generalizações que permitam focar no essencial. Por exemplo: sempre que um empresário conhecido nosso se defronta com uma reunião difícil, ele toma chá de camomila antes. Consequentemente, a demanda por camomila na grande São Paulo oscila de acordo com o número de reuniões que essa pessoa faz por mês. Porém, se nos pedissem para modelar o preço do chá de camomila nos supermercados da cidade, não incluiríamos o número de reuniões do dito senhor. Se fizéssemos isso ganharíamos quase nada em termos de poder explicativo, e ao mesmo tempo tornaríamos o modelo menos parcimonioso. Portanto, excluir esse aspecto da análise é uma simplificação que faz sentido.

Cuidado: um bom modelo faz simplificações, mas espera-se que essas simplificações não comprometam demais a descrição da realidade.

O segundo motivo pelo qual economistas recorrem a modelos formais é que eles contêm hipóteses expressas em forma matemática, as quais ajudam a organizar o raciocínio, disciplinando-o. A formalização algébrica das questões socioeconômicas ajuda a evitar, por exemplo, que se confunda hipótese com conclusão – algo bastante comum na argumentação informal. É importante notar que um bom economista saberá traduzir em claro português o que o modelo matemático diz. Caso contrário, ele provavelmente não é um bom economista.

Talvez menos importante do que noções difusas de quão realistas são as hipóteses de um modelo é a avaliação concreta da medida em que as tais hipóteses ajudam a descrever padrões observáveis da realidade. Se modelássemos um exímio jogador de sinuca como um robô que conhece com precisão trigonometria e as leis da física, esse “modelo” teria sucesso em explicar o fato empiricamente observado no mundo real: bolas quase sempre na caçapa quando o jogador está em ação! Ainda que o sujeito não curta senos e cossenos, força de atrito etc., postular um modelo com base nessas premissas ajuda a entender o resultado final.

Fazendo um paralelo com a economia: queremos entender como os consumidores distribuem seu consumo ao longo do tempo – e, portanto, tomam decisões de poupança e endividamento. Nesse caso, lançamos mão de técnicas de programação dinâmica, em que supomos que o consumidor maximiza seu bem-estar ao longo de sua vida, respeitando seu orçamento em cada ano. Para tanto, o consumidor resolve equações funcionais complicadas. Na prática as pessoas sabem programação dinâmica? Claro que não. Mas as técnicas matemáticas nos ajudam a entender como seria o comportamento do consumidor que toma a melhor decisão para si.

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