Política fiscal e inflação

Se uma família quer fazer uma viagem internacional, ela pode financiar esse gasto adicional de duas formas: aumenta sua renda hoje (por exemplo, trabalhando mais), ou se endivida. Mas com essa segunda opção, a família precisará gerar mais renda ou cortar outros gastos no futuro, quando a dívida precisará ser saldada.

Para o governo a situação é análoga. Ele pode financiar seus gastos correntes com receita hoje, isto é, arrecadando mais impostos; ou se financiar com dívida, que terá que ser repaga no futuro. E, para tanto, serão necessários mais impostos e/ou menos gastos públicos no futuro.

No entanto, ao contrário da família, o governo tem uma terceira opção para financiar seus gastos: imprimir moeda. O problema é que isso gera mais inflação. Quanto maior a taxa de crescimento do estoque de moeda da economia, maior tende a ser a taxa de inflação.

Países com situações fiscais mais frágeis são justamente aqueles que recorrem a esse mecanismo para financiar suas despesas – e acabam apresentando taxas de inflação mais altas. Além disso, taxas de inflação elevadíssimas – as chamadas hiperinflações – estão associadas a taxas igualmente impressionantes de crescimento do estoque monetário, que têm como causa fundamental uma total desorganização das contas públicas.

Entre o fim dos anos 1980 e início dos anos 1990 o Brasil lutou contra uma hiperinflação, que atingiu um pico de mais de 2.000% em 1993. Isso significa que os preços aumentaram em média mais de 20 vezes ao longo daquele ano. E não estávamos sós nesse barco. Diversos outros países latino-americanos sofreram com o problema de inflação descontrolada nesse período. Por exemplo, a inflação boliviana chegou a 20.000% em 1985. Há episódios muito piores nos anos 1920 nos países derrotados na Primeira Guerra Mundial, com preços aumentando em média mais de 850.000 vezes na Alemanha da República de Weimar ao longo de 1924.

O descontrole das contas públicas (tendo como consequência elevadíssimas taxas de expansão do estoque de moeda) está na raiz desses problemas. Os países derrotados na Primeira Guerra Mundial, por exemplo, estavam totalmente desorganizados e com dificuldades em arrecadar impostos, além de terem que pagar reparações de guerra para os países vencedores. Isso colocou uma pressão enorme sobre as finanças públicas, e a saída foi imprimir dinheiro a torto e a direito.

Já os países latino-americanos estavam muito endividados no início dos anos 1980, quando os Estados Unidos subiram fortemente a taxa de juros para combater um problema de inflação interna. Isso aumentou consideravelmente o custo dessa dívida, pressionando as contas públicas desses países, o que culminou em processos hiperinflacionários.

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