Riscos de calote

Um calote ocorre quando o governo anuncia unilateralmente que não cumprirá, parcial ou totalmente, suas promessas anteriores de pagamento de dívida. Dessa forma, as pessoas e organizações que compraram títulos públicos ou firmaram contratos de empréstimo com o governo perderão parte do dinheiro (ou todo, dependendo da extensão do calote) que investiram na dívida pública.

Contudo, quando o governo começa a apresentar problemas em suas contas, os credores passam a atribuir maior chance para cenários em que haverá calote. Quanto mais as pessoas desconfiam de que há risco de o governo dar calote, menos elas estarão dispostas a manter títulos públicos ou emprestar para o governo. Desse modo, para continuar captando recursos, o governo precisará oferecer taxas de juros mais elevadas, compensando assim esse risco maior de calote. Em geral, países com histórico recente de inadimplência – como, por exemplo, a nossa vizinha Argentina – tendem a gerar maior desconfiança em relação a futuros calotes e, portanto, terão taxas de juros altas.

Quando a razão dívida-PIB se eleva, o custo em termos de esforço fiscal (na forma de um superávit primário mais alto) para manter essa dívida também cresce. Nessa situação, a opção pelo calote torna-se mais atrativa para o governo. Mas os credores anteveem isso, e passam a exigir taxas de juros mais elevadas para continuar financiando o governo.

Dessa forma, uma razão dívida-PIB alta é custosa, pois o governo precisa gastar mais recursos na forma de juros para mantê-la: não só os juros estão incidindo sobre um montante maior, como também a própria taxa de juros tende a ser mais alta, para viabilizar a maior captação de recursos por parte do governo.

Logo, se a dívida aumenta de forma descontrolada, o pagamento de juros também cresce de forma explosiva, podendo gerar uma trajetória insustentável de gastos financeiros. Assim,  o custo de manutenção da dívida cresce bastante e, com ele, a possibilidade de o  governante  dar um calote.

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