Uma plataforma que vai te ajudar a entender um pouco mais de economia.

A imprensa tem noticiado planos da nova direção da Petrobras de reduzir, em breve, os preços dos combustíveis. Para o desapontamento dos motoristas mais esperançosos: não, do ponto de vista da saúde da empresa, está longe de ser a melhor hora para cortar preços da gasolina e do diesel no Brasil.

 



 

Para explicar o porquê disso, precisamos, antes, entender o que jogou os preços dos combustíveis lá para cima:

Sem conseguir produzir toda a gasolina consumida por você, a Petrobras compra no exterior parte considerável do que vende. Até aí, “tudo bem”. O problema: o valor que você pagava no posto não correspondia ao custo para fazer aquele combustível chegar na bomba.

Durante os últimos anos, antes dos reajustes promovidos mais recentemente, a gasolina (acredite se quiser!) vendida no Brasil era uma das mais baratas do mundo. Em economês, é o que se chama de subsídio. A Petrobras, a mando do governo, seu controlador, pagava parte do nosso consumo – o que, feito por tanto tempo, ajudou a deixar em frangalhos os cofres da empresa.

Essa decisão, política, contraria a lógica econômica. Combustíveis, quando seus preços sobem, pressionam a inflação. Puxam para cima boa parte dos preços de outras cadeias produtivas, como alimentos e roupas, que dependem de transporte por estradas.

Os preços foram congelados por essa razão. A alta média de preços ficou mesmo mais branda por período curto – o que lhe rendeu algum respiro do governo junto ao eleitor. Mas o fim desta história o seu bolso já conhece bem: consumidores estão arcando, até hoje, com todo o aumento de preços, represado no passado, para segurar a inflação.

Mas o que passou... passou, né? Por que não corta logo isso?

Devagar com o andor.

Sim, desde 2015, o preço do petróleo (matéria-prima dos combustíveis) está em queda no mercado internacional, após grande alta. E, sim, a Petrobras poderia muito bem baixar seus preços, não fossem alguns “ses”:

1) SE, ao longo dos últimos anos, já acompanhasse os preços do exterior;

2) SE, ao longo dos últimos anos, repassasse todos os seus custos aos preços finais;

3) SE, ao longo dos últimos anos, por não agir assim, a empresa não aumentasse a sua dívida total para além do tamanho do próprio patrimônio.

Ou seja, se a Petrobras tivesse cobrado de você o PREÇO VERDADEIRO do combustível que vendia, hoje não precisaria correr atrás do tempo e do dinheiro perdidos. Como não seguiu o beabá da economia, mas, sim, o beabá da política, precisa cobrar de você um preço, sob a ótica de nossos salários, ABSURDO.

Sabe aquele papo de que “não existe almoço grátis”?

Quando você enche o tanque do seu carro hoje no Brasil, é como se estivesse pagando não só o “almoço” de hoje, mas também uma parcela do "almoço" de ontem. Já que a Petrobras bancou a gasolina do consumidor no passado, mesmo sem ter dinheiro suficiente... Agora ela precisa cobrar tudo de volta para sobreviver.

Esse “prêmio” (como o mercado chama a diferença superior do preço cobrado no Brasil em relação ao cobrado no exterior) está sendo usado, literalmente, para tapar o buraco deixado na empresa ao adotar a tática que descrevemos.

 



 

A gasosa ficou mais cara já faz tempo, mas não o suficiente para tapar o rombo. Para piorar, fatia bastante gordinha dessa dívida da empresa foi feita em dólar. E, como se sabe, a moeda americana ficou bem mais cara no Brasil desde 2014.

Dizer isso tudo não significa que não faça sentido realinhar os preços locais aos praticados no exterior. Pelo contrário!

Do ponto de vista da empresa, traria previsibilidade.

Quando os critérios para determinar preços não estão claros, ninguém quer investir. Quem vai querer entregar o suado dinheirinho às instabilidades da política? Uma fórmula transparente de formação de preços, imune ao vai-e-vem eleitoral, tem potencial para atrair investimentos do mundo inteiro.

http://porque.com.br/por-que-os-planos-da-petrobras-deram-errado/

Do lado do consumidor, no curtíssimo prazo, seria bom também: combustível mais barato, ora essa.

Quem não quer pagar menos por seja lá o que for? Caso o combustível nacional acompanhasse os preços praticados lá fora, de fato, custaria de 15% a 20% menos hoje. Mas do que adiantaria um descontão desses, agora, para ter de pagar tudo depois, lá na frente?

Tudo tem seu tempo certo e na economia não é diferente.

Não basta a Petrobras jogar agora seus preços para baixo – como a realidade mostra, é uma furada tentar fazer "mágica" na economia. Esse truque dos preços alivia o consumidor só num instante para, cedo ou tarde, penalizá-lo por bom tempo.

http://porque.com.br/por-que-o-rebaixamento-aprofunda-a-crise-da-petrobras/

Se (e olha “se” de novo aí, gente!) esta nova gestão da empresa optar pelo caminho da "mágica", não restará muita solução: ou faz também a “mágica” do desaparecimento, ao fechar as portas da Petrobras, afundada em mais dívidas; ou, quem sabe, restará a ela vender parte ainda maior de suas propriedades – o que já está sendo feito – para pagar as contas de tantas trapalhadas em série.

É uma questão de escolha.

 



 

Petrobras pode cortar preço da gasolina - e isso é péssimo. Por quê?

A imprensa tem noticiado planos da nova direção da Petrobras de reduzir, em breve, os preços dos combustíveis. Para o desapontamento dos motoristas mais esperançosos: não, do ponto de vista da saúde da empresa, está longe de ser a melhor hora para cortar preços da gasolina e do diesel no Brasil.     Para explicar o porquê disso, precisamos, antes, entender o que jogou os preços dos combustíveis lá para cima: Sem conseguir produzir toda a gasolina consumida por você, a Petrobras compra no exterior parte considerável do que vende. Até aí, “tudo bem”. O problema: o valor que você pagava no posto não correspondia ao custo para fazer aquele combustível chegar na bomba. Durante os últimos anos, antes dos reajustes promovidos mais recentemente, a gasolina (acredite se quiser!) vendida no Brasil era uma das mais baratas do mundo. Em economês, é o que se chama de subsídio. A Petrobras, a mando do governo, seu controlador, pagava parte do nosso consumo – o que, feito por tanto tempo, ajudou a deixar em frangalhos os cofres da empresa. Essa decisão, política, contraria a lógica econômica. Combustíveis, quando seus preços sobem, pressionam a inflação. Puxam para cima boa parte dos preços de outras cadeias produtivas, como alimentos e roupas, que dependem de transporte por estradas. Os preços foram congelados por essa razão. A alta média de preços ficou mesmo mais branda por período curto – o que lhe rendeu algum respiro do governo junto ao eleitor. Mas o fim desta história o seu bolso já conhece bem: consumidores estão arcando, até hoje, com todo o aumento de preços, represado no passado, para segurar a inflação. Mas o que passou... passou, né? Por que não corta logo isso? Devagar com o andor. Sim, desde 2015, o preço do petróleo (matéria-prima dos combustíveis) está em queda no mercado internacional, após grande alta. E, sim, a Petrobras poderia muito bem baixar seus preços, não fossem alguns “ses”: 1) SE, ao longo dos últimos anos, já acompanhasse os preços do exterior; 2) SE, ao longo dos últimos anos, repassasse todos os seus custos aos preços finais; 3) SE, ao longo dos últimos anos, por não agir assim, a empresa não aumentasse a sua dívida total para além do tamanho do próprio patrimônio. Ou seja, se a Petrobras tivesse cobrado de você o PREÇO VERDADEIRO do combustível que vendia, hoje não precisaria correr atrás do tempo e do dinheiro perdidos. Como não seguiu o beabá da economia, mas, sim, o beabá da política, precisa cobrar de você um preço, sob a ótica de nossos salários, ABSURDO. Sabe aquele papo de que “não existe almoço grátis”? Quando você enche o tanque do seu carro hoje no Brasil, é como se estivesse pagando não só o “almoço” de hoje, mas também uma parcela do "almoço" de ontem. Já que a Petrobras bancou a gasolina do consumidor no passado, mesmo sem ter dinheiro suficiente... Agora ela precisa cobrar tudo de volta para sobreviver. Esse “prêmio” (como o mercado chama a diferença superior do preço cobrado no Brasil em relação ao cobrado no exterior) está sendo usado, literalmente, para tapar o buraco deixado na empresa ao adotar a tática que descrevemos.     A gasosa ficou mais cara já faz tempo, mas não o suficiente para tapar o rombo. Para piorar, fatia bastante gordinha dessa dívida da empresa foi feita em dólar. E, como se sabe, a moeda americana ficou bem mais cara no Brasil desde 2014. Dizer isso tudo não significa que não faça sentido realinhar os preços locais aos praticados no exterior. Pelo contrário! Do ponto de vista da empresa, traria previsibilidade. Quando os critérios para determinar preços não estão claros, ninguém quer investir. Quem vai querer entregar o suado dinheirinho às instabilidades da política? Uma fórmula transparente de formação de preços, imune ao vai-e-vem eleitoral, tem potencial para atrair investimentos do mundo inteiro. http://porque.com.br/por-que-os-planos-da-petrobras-deram-errado/ Do lado do consumidor, no curtíssimo prazo, seria bom também: combustível mais barato, ora essa. Quem não quer pagar menos por seja lá o que for? Caso o combustível nacional acompanhasse os preços praticados lá fora, de fato, custaria de 15% a 20% menos hoje. Mas do que adiantaria um descontão desses, agora, para ter de pagar tudo depois, lá na frente? Tudo tem seu tempo certo e na economia não é diferente. Não basta a Petrobras jogar agora seus preços para baixo – como a realidade mostra, é uma furada tentar fazer "mágica" na economia. Esse truque dos preços alivia o consumidor só num instante para, cedo ou tarde, penalizá-lo por bom tempo. http://porque.com.br/por-que-o-rebaixamento-aprofunda-a-crise-da-petrobras/ Se (e olha “se” de novo aí, gente!) esta nova gestão da empresa optar pelo caminho da "mágica", não restará muita solução: ou faz também a “mágica” do desaparecimento, ao fechar as portas da Petrobras, afundada em mais dívidas; ou, quem sabe, restará a ela vender parte ainda maior de suas propriedades – o que já está sendo feito – para pagar as contas de tantas trapalhadas em série. É uma questão de escolha.    
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