Na segunda-feira, a Bolsa afundou e o dólar disparou frente à decisão do juiz Edson Fachin, que tornou Lula elegível a concorrer à presidência em 2022. Na verdade, notamos movimentos parecidos durante a eleição de 2018 toda a vez que o candidato do PT, Fernando Haddad, crescia nas pesquisas.

Apesar de semelhança, as razões por trás desses efeitos no mercado financeiro parecem-me ser diferentes dessa vez.

Primeiro vamos explicar por que a Bolsa responde a eventos desse tipo. Quem compra a ação de uma empresa se torna dono de um pedacinho dela. Assim, tem direito a uma parcela dos lucros da companhia. O preço da ação, portanto, reflete as expectativas do mercado quanto à lucratividade da empresa no futuro.

Se a expectativa melhora, as ações da firma ficam mais atrativas aos olhos de investidores. E isso faz com que seu preço suba já hoje. Por outro lado, se o cenário passa a indicar menor perspectiva de lucros futuros, o preço da ação cai.
A Bolsa reúne diversas companhias. Dessa forma, subidas e descidas refletem expectativas sobre os lucros agregados dessas empresas.

O movimento observado na segunda-feira indica que o mercado enxerga menor perspectiva de lucros com a decisão de Fachin, que tornou Lula elegível. Isso parece inegável pelo comportamento da Bolsa durante o dia. Ela começa a cair para valer logo depois que o evento é anunciado. Veja aqui.

A questão é: o que está por trás dessa mudança? Essa é uma questão mais difícil de responder. O preço de um ativo reflete um agregado de opiniões e sentimentos de diversos agentes de mercado, que não pensam da mesma forma. Entrar na cabeça de cada um deles não é possível. Tentarei dar possíveis interpretações.

A volta de Lula ao poder, agora mais provável, pode estar associada à retomada de políticas econômicas adotadas pelo PT principalmente a partir do final da década de 2000 – maior intervenção estatal e políticas fiscal e monetária pouco responsáveis. Isso é visto como prejudicial à economia e à lucratividade de empresas.

Como eu disse, já observamos algo semelhante na eleição de 2018, especialmente em momentos em que Fernando Haddad crescia nas pesquisas e Bolsonaro caía. Na época, Bolsonaro era visto como um candidato liberal na economia, mais compromissado com reformas e com o ajuste das contas públicas. Mas hoje essa percepção já caiu por terra (ou deveria ter caído), principalmente em função das atitudes do presidente nas últimas duas semanas.  Então não acredito que o movimento no preço das ações esteja ligado a uma diminuição das chances de Bolsonaro – como ocorria durante o segundo turno de 2018.

Uma possível explicação é que, com Lula e Bolsonaro na disputa, diminui significativamente a viabilidade de um terceiro candidato com uma plataforma mais moderada. As chances de termos um populista aumentaram – seja ele de direita ou de esquerda.

Lula e Bolsonaro também devem elevar ainda mais o grau de polarização política. Isso pode dificultar a formação de consensos tanto na sociedade quanto no poder público. A perspectiva de um governo travado e de uma sociedade dividida também é prejudicial à economia.

Outra possibilidade: Fachin abriu uma caixa de Pandora que aumentou muito a incerteza política. A decisão afetará apenas Lula? A situação do ex-presidente é definitiva ou pode ser revertida? Como ficam outros condenados pela Operação Lava Jato? Como isso mexe com o xadrez político?

O STF está tomando decisões de relevo, cujo impacto ainda não sabemos qual será. Esse cenário nebuloso tende a ser desfavorável ao mercado de ações. Investidores podem preferir ativos mais seguros nessa situação, o que faria a Bolsa cair.


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Por que Lula mexe com a Bolsa?

Na segunda-feira, a Bolsa afundou e o dólar disparou frente à decisão do juiz Edson Fachin, que tornou Lula elegível a concorrer à presidência em 2022. Na verdade, notamos movimentos parecidos durante a eleição de 2018 toda a vez que o candidato do PT, Fernando Haddad, crescia nas pesquisas.

Apesar de semelhança, as razões por trás desses efeitos no mercado financeiro parecem-me ser diferentes dessa vez.

Primeiro vamos explicar por que a Bolsa responde a eventos desse tipo. Quem compra a ação de uma empresa se torna dono de um pedacinho dela. Assim, tem direito a uma parcela dos lucros da companhia. O preço da ação, portanto, reflete as expectativas do mercado quanto à lucratividade da empresa no futuro.

Se a expectativa melhora, as ações da firma ficam mais atrativas aos olhos de investidores. E isso faz com que seu preço suba já hoje. Por outro lado, se o cenário passa a indicar menor perspectiva de lucros futuros, o preço da ação cai.
A Bolsa reúne diversas companhias. Dessa forma, subidas e descidas refletem expectativas sobre os lucros agregados dessas empresas.

O movimento observado na segunda-feira indica que o mercado enxerga menor perspectiva de lucros com a decisão de Fachin, que tornou Lula elegível. Isso parece inegável pelo comportamento da Bolsa durante o dia. Ela começa a cair para valer logo depois que o evento é anunciado. Veja aqui.

A questão é: o que está por trás dessa mudança? Essa é uma questão mais difícil de responder. O preço de um ativo reflete um agregado de opiniões e sentimentos de diversos agentes de mercado, que não pensam da mesma forma. Entrar na cabeça de cada um deles não é possível. Tentarei dar possíveis interpretações.

A volta de Lula ao poder, agora mais provável, pode estar associada à retomada de políticas econômicas adotadas pelo PT principalmente a partir do final da década de 2000 – maior intervenção estatal e políticas fiscal e monetária pouco responsáveis. Isso é visto como prejudicial à economia e à lucratividade de empresas.

Como eu disse, já observamos algo semelhante na eleição de 2018, especialmente em momentos em que Fernando Haddad crescia nas pesquisas e Bolsonaro caía. Na época, Bolsonaro era visto como um candidato liberal na economia, mais compromissado com reformas e com o ajuste das contas públicas. Mas hoje essa percepção já caiu por terra (ou deveria ter caído), principalmente em função das atitudes do presidente nas últimas duas semanas.  Então não acredito que o movimento no preço das ações esteja ligado a uma diminuição das chances de Bolsonaro – como ocorria durante o segundo turno de 2018.

Uma possível explicação é que, com Lula e Bolsonaro na disputa, diminui significativamente a viabilidade de um terceiro candidato com uma plataforma mais moderada. As chances de termos um populista aumentaram – seja ele de direita ou de esquerda.

Lula e Bolsonaro também devem elevar ainda mais o grau de polarização política. Isso pode dificultar a formação de consensos tanto na sociedade quanto no poder público. A perspectiva de um governo travado e de uma sociedade dividida também é prejudicial à economia.

Outra possibilidade: Fachin abriu uma caixa de Pandora que aumentou muito a incerteza política. A decisão afetará apenas Lula? A situação do ex-presidente é definitiva ou pode ser revertida? Como ficam outros condenados pela Operação Lava Jato? Como isso mexe com o xadrez político?

O STF está tomando decisões de relevo, cujo impacto ainda não sabemos qual será. Esse cenário nebuloso tende a ser desfavorável ao mercado de ações. Investidores podem preferir ativos mais seguros nessa situação, o que faria a Bolsa cair.


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