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Quando não tenho o que fazer, sento-me no sofá com um livro. Se o tempo está bom, vou andar ou correr fora de casa. Poderia ligar o videogame, mas não gosto.  Às vezes o livro que leio não é de qualidade, não passa de uma distração. Mas ler um livro ruim não faz mal a ninguém, só me faz perder tempo.

Às vezes, uma atitude parecida com a minha pode ser correta quando falamos em regulação da atividade econômica: há situações em que o melhor é não fazer nada.

É, sim, errado achar que o Estado não deve regular a atividade econômica, como querem alguns ultralibertários. Regulações são bem-vindas nas áreas de qualidade de alimentos, eficácia de remédios ou proteção ao meio ambiente, entre outras.

Mas deve-se proceder com cautela. Para cada interferência do Estado na economia, é preciso que tenhamos certeza de que um objetivo louvável está sendo atingido, e que não a regulação não vise apenas a defender interesses particulares ou a dificultar a vida de todos nós.

Alguns dias atrás deparei com um exemplo de regulação que não ajuda a todos, atrapalha a muitos e beneficia uma pequena parcela. É o caso do projeto, aprovado na Câmara, que regula os serviços de transporte como o Uber. Uma emenda ao projeto que autoriza tais serviços determina que eles são públicos, não privados. Sendo públicos, devem ser regulados como táxis. Sendo regulados como táxis, as prefeituras podem limitar o número de veículos no serviço ou cobrar por licenças.

Imediatamente, perdem os motoristas do Uber, que teriam que pagar pelo “privilégio” de poder trabalhar; perdem também os usuários do serviço, que teriam menos opções, provavelmente a preços mais altos; os únicos ganhadores seriam os motoristas de táxi tradicionais, que teriam seu mercado protegido... pelo menos até que outra inovação tecnológica ameace seus ganhos.

Muitas décadas atrás, a ferrovia tornou inviável a profissão de tropeiro, aqueles que criavam mulas e as empregavam no transporte de produtos até os portos. Graças ao advento da ferrovia, nossos antepassados puderam cultivar terras mais distantes. O custo dos alimentos para os moradores das cidades se tornou mais baixo, o que possibilitou que mais pessoas viessem morar nas cidades e trabalhar no setor industrial.

Recentemente aprendi sobre um tataravô que era tropeiro. Ganhava a vida levando mulas carregadas de café para o porto de Santos. Quando a ferrovia ligando Santos a Jundiaí foi inaugurada, imagino que ele tenha tido que achar outro emprego ou outro uso para suas mulas.

É da natureza do desenvolvimento econômico que a economia se transforme. Quando um novo serviço ou jeito de  produzir algo é descoberto, em geral, estamos todos melhores se o Estado não coloca obstáculos. Existem exceções, mas não estou convencido de que devemos parar a transformação econômica para preservar o valor das licenças de táxi.

Precisamos do Estado? Não regulando o Uber...

Quando não tenho o que fazer, sento-me no sofá com um livro. Se o tempo está bom, vou andar ou correr fora de casa. Poderia ligar o videogame, mas não gosto.  Às vezes o livro que leio não é de qualidade, não passa de uma distração. Mas ler um livro ruim não faz mal a ninguém, só me faz perder tempo. Às vezes, uma atitude parecida com a minha pode ser correta quando falamos em regulação da atividade econômica: há situações em que o melhor é não fazer nada. É, sim, errado achar que o Estado não deve regular a atividade econômica, como querem alguns ultralibertários. Regulações são bem-vindas nas áreas de qualidade de alimentos, eficácia de remédios ou proteção ao meio ambiente, entre outras. Mas deve-se proceder com cautela. Para cada interferência do Estado na economia, é preciso que tenhamos certeza de que um objetivo louvável está sendo atingido, e que não a regulação não vise apenas a defender interesses particulares ou a dificultar a vida de todos nós. Alguns dias atrás deparei com um exemplo de regulação que não ajuda a todos, atrapalha a muitos e beneficia uma pequena parcela. É o caso do projeto, aprovado na Câmara, que regula os serviços de transporte como o Uber. Uma emenda ao projeto que autoriza tais serviços determina que eles são públicos, não privados. Sendo públicos, devem ser regulados como táxis. Sendo regulados como táxis, as prefeituras podem limitar o número de veículos no serviço ou cobrar por licenças. Imediatamente, perdem os motoristas do Uber, que teriam que pagar pelo “privilégio” de poder trabalhar; perdem também os usuários do serviço, que teriam menos opções, provavelmente a preços mais altos; os únicos ganhadores seriam os motoristas de táxi tradicionais, que teriam seu mercado protegido... pelo menos até que outra inovação tecnológica ameace seus ganhos. Muitas décadas atrás, a ferrovia tornou inviável a profissão de tropeiro, aqueles que criavam mulas e as empregavam no transporte de produtos até os portos. Graças ao advento da ferrovia, nossos antepassados puderam cultivar terras mais distantes. O custo dos alimentos para os moradores das cidades se tornou mais baixo, o que possibilitou que mais pessoas viessem morar nas cidades e trabalhar no setor industrial. Recentemente aprendi sobre um tataravô que era tropeiro. Ganhava a vida levando mulas carregadas de café para o porto de Santos. Quando a ferrovia ligando Santos a Jundiaí foi inaugurada, imagino que ele tenha tido que achar outro emprego ou outro uso para suas mulas. É da natureza do desenvolvimento econômico que a economia se transforme. Quando um novo serviço ou jeito de  produzir algo é descoberto, em geral, estamos todos melhores se o Estado não coloca obstáculos. Existem exceções, mas não estou convencido de que devemos parar a transformação econômica para preservar o valor das licenças de táxi.
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