Os eventos recentes em Terra Brasilis, onde no Executivo há  um governo que se diz liberal, corroboram uma tese que defendemos há anos: governo não deve ter empresa e essa história de capital misto é, no mínimo, problemática. Tem de privatizar tudo. Em processos claros, guiados por gente que entenda da prática e da teoria de leilões, obviamente.

O episódio a que nos referimos, como já deve desconfiar o leitor, é a interferência direta do presidente da República, o senhor Messias, sobre as decisões de preço de uma companhia de capital misto. Uma empresa com board, com ações negociadas em mercado, num país com agência reguladora e lei de minoritários. Mas, aparentemente, nada disso importa. Se o presidente não gostou, não pode (interferiria o senhor Messias caso se tratasse de uma queda de preços?).

Mexer com preços é um dos pecados capitais do planejamento central, e manejá-los com fins populistas é a marca registrada de governos... socialistas. Trata-se de uma prática que gera ineficiências de todos os tipos, pois o preço numa economia de mercado é o sinalizador da escassez relativa. Em situações de concentração de mercado, há de fato um problema de nível (preço mais elevado do que o socialmente ideal), mas as oscilações ainda assim sinalizam quedas ou aumentos de custos marginais. Para lidar com poder de mercado, temos leis e agências reguladoras. Não precisamos de um Messias.

E também é preciso levar em conta, no caso de derivados do petróleo, o que em economia chamamos de externalidades negativas. Combustíveis fósseis geram poluição; gasolina barata gera mais carros na rua, mais trânsito e mais acidentes. Desincentiva o uso do transporte público e da bicicleta, a carona e os investimentos em tecnologias alternativas menos danosas ao meio ambiente. Enfim, enormes custos sociais. Não é à toa que a recomendação de política pública é taxar combustível fóssil mais pesadamente. Isso é o que diria um economista neoclássico, não um esquerdista pré-histórico. 

Voltando ao “privatiza tudo”: por que deixar empresas na mão de governos? Elas sempre serão mal administradas e o espaço para roubalheira e aparelhamento será maior (não que tudo isso não aconteça no setor privado). Os incentivos sempre se distorcem, se desviam da maximização de lucros. Vide a própria Petrobras, fonte inesgotável de escândalos de corrupção em governos passados. Mas mesmo que a corrupção fosse pouca: por que ter o dedo do governo? É uma máquina de perder dinheiro, como bem sabemos das experiências desastrosas anteriores aos anos 1990. A má vontade em relação a privatizações em geral, diga-se, não é exclusividade do Executivo. Nem agora, nem antes.

Sociedade mista? Pode esquecer. O sócio grandalhão vai forçar a barra, como o valentão da escola. Mais uma vez a própria Petro nos governos petistas é um belo exemplo: a mando dos superiores, foi comprando ativos no exterior, expandindo-se, aumentando brutalmente sua dívida. Mas aumentar preços não podia, era contra os interesses da nação. Resultado: uma montanha de dívida e receitas insuficientes. Pimenta nos olhos do acionista minoritário não arde. Esse se ferrou de verde e amarelo, literalmente. E você, que não comprou ações da Petro, também provavelmente vai entrar na roda, quando descobrir que alguém ordenou uma capitalização emergencial para dar gás à empresa – tudo sempre em nome do Brasil.
Para evitar essa casa da mãe Joana é que algumas pessoas votaram no Paulo, revoltadas contra o uso da máquina pública para fins populistas e/ou ilícitos. Paulo, no entanto, virou Manteiga – ou, em italiano, burro.

COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE SÃO PAULO

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Privatiza tudo!

Os eventos recentes em Terra Brasilis, onde no Executivo há  um governo que se diz liberal, corroboram uma tese que defendemos há anos: governo não deve ter empresa e essa história de capital misto é, no mínimo, problemática. Tem de privatizar tudo. Em processos claros, guiados por gente que entenda da prática e da teoria de leilões, obviamente.

O episódio a que nos referimos, como já deve desconfiar o leitor, é a interferência direta do presidente da República, o senhor Messias, sobre as decisões de preço de uma companhia de capital misto. Uma empresa com board, com ações negociadas em mercado, num país com agência reguladora e lei de minoritários. Mas, aparentemente, nada disso importa. Se o presidente não gostou, não pode (interferiria o senhor Messias caso se tratasse de uma queda de preços?).

Mexer com preços é um dos pecados capitais do planejamento central, e manejá-los com fins populistas é a marca registrada de governos... socialistas. Trata-se de uma prática que gera ineficiências de todos os tipos, pois o preço numa economia de mercado é o sinalizador da escassez relativa. Em situações de concentração de mercado, há de fato um problema de nível (preço mais elevado do que o socialmente ideal), mas as oscilações ainda assim sinalizam quedas ou aumentos de custos marginais. Para lidar com poder de mercado, temos leis e agências reguladoras. Não precisamos de um Messias.

E também é preciso levar em conta, no caso de derivados do petróleo, o que em economia chamamos de externalidades negativas. Combustíveis fósseis geram poluição; gasolina barata gera mais carros na rua, mais trânsito e mais acidentes. Desincentiva o uso do transporte público e da bicicleta, a carona e os investimentos em tecnologias alternativas menos danosas ao meio ambiente. Enfim, enormes custos sociais. Não é à toa que a recomendação de política pública é taxar combustível fóssil mais pesadamente. Isso é o que diria um economista neoclássico, não um esquerdista pré-histórico. 

Voltando ao “privatiza tudo”: por que deixar empresas na mão de governos? Elas sempre serão mal administradas e o espaço para roubalheira e aparelhamento será maior (não que tudo isso não aconteça no setor privado). Os incentivos sempre se distorcem, se desviam da maximização de lucros. Vide a própria Petrobras, fonte inesgotável de escândalos de corrupção em governos passados. Mas mesmo que a corrupção fosse pouca: por que ter o dedo do governo? É uma máquina de perder dinheiro, como bem sabemos das experiências desastrosas anteriores aos anos 1990. A má vontade em relação a privatizações em geral, diga-se, não é exclusividade do Executivo. Nem agora, nem antes.

Sociedade mista? Pode esquecer. O sócio grandalhão vai forçar a barra, como o valentão da escola. Mais uma vez a própria Petro nos governos petistas é um belo exemplo: a mando dos superiores, foi comprando ativos no exterior, expandindo-se, aumentando brutalmente sua dívida. Mas aumentar preços não podia, era contra os interesses da nação. Resultado: uma montanha de dívida e receitas insuficientes. Pimenta nos olhos do acionista minoritário não arde. Esse se ferrou de verde e amarelo, literalmente. E você, que não comprou ações da Petro, também provavelmente vai entrar na roda, quando descobrir que alguém ordenou uma capitalização emergencial para dar gás à empresa – tudo sempre em nome do Brasil.
Para evitar essa casa da mãe Joana é que algumas pessoas votaram no Paulo, revoltadas contra o uso da máquina pública para fins populistas e/ou ilícitos. Paulo, no entanto, virou Manteiga – ou, em italiano, burro.

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