Os economistas Andrew Bernard e Meghan Busse propuseram um modelo muito simples para entender o sucesso olímpico das nações. Resolvemos então atualizar os dados e reestimar o modelo para Tóquio 2020. Antes de apresentar nossas previsões, uma breve explicação do método.


No modelo, o número de medalhas é explicado por apenas quatro indicadores: população, renda per capita, o desempenho na Olimpíada anterior, e uma variável denotando o país sede.

A ideia é a seguinte. Países mais populosos conseguem explorar a tal da “lei dos grandes números”, ou seja, a probabilidade de que atletas de alto padrão surjam neles é maior do que em países menores. Já países mais ricos têm mais capacidade de realizar investimentos em esportes, o que acaba refletindo em seu desempenho olímpico.

Além disso, o país sede têm um incentivo a mais a buscar mais medalhas em casa, e acaba investindo mais. Isso fora o fator da torcida local – que impulsiona atletas e pressiona árbitros. Por fim, o desempenho passado também deve importar. Afinal, uma geração de bons atletas tende a competir em mais de uma Olimpíada.

Estimamos o modelo considerando os jogos de 1996 a 2016. Ele de fato se ajusta muito bem aos dados. As quatro variáveis têm o sinal esperado conforme a discussão acima. Com base nas estimativas do modelo, realizamos a previsão das medalhas para os jogos de Tóquio. Para tanto, usamos os dados de renda per capita e população de 2019 (ano em que temos informações para a maioria dos países), impusemos o indicador de sede para o Japão, e medimos o desempenho olímpico passado pelos resultados nos jogos de 2016.

Apresentamos os resultados para os vinte primeiros colocados (em termos de número total de medalhas) a seguir. Para um comparativo, mostramos também os dados observados de 2016.

Note que nossa previsão para Tóquio se aproxima bastante do resultado efetivamente observado na Olimpíada do Rio-2016. Isso ocorre porque, no modelo, o desempenho passado é de longe a variável mais importante para explicar o total de medalhas conquistadas pelos países. Em vários casos, os valores para esta edição seriam um pouco mais altos simplesmente porque há mais medalhas em disputa.
Por exemplo, para o Brasil, o modelo prevê que conquistaremos em Tóquio cerca de 2% das medalhas – o que, arredondando, daria um total de 20. Em 2016, tivemos um total de 19 (o que equivaleu a algo muito próximo a 2% das medalhas concedidas naquela edição).

Em breve voltaremos ao assunto para comparar nossas previsões com os resultados finais dos jogos.

Fonte dos dados
Quadro de medalhas e lista de países participantes dos jogos olímpicos de 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016. Wikipedia. Disponíveis em: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_participating_nations_at_the_Summer_Olympic_Games e https://en.wikipedia.org/wiki/All-time_Olympic_Games_medal_table.

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Quantas medalhas conquistaremos em Tóquio? | Gráficos da semana

Os economistas Andrew Bernard e Meghan Busse propuseram um modelo muito simples para entender o sucesso olímpico das nações. Resolvemos então atualizar os dados e reestimar o modelo para Tóquio 2020. Antes de apresentar nossas previsões, uma breve explicação do método.


No modelo, o número de medalhas é explicado por apenas quatro indicadores: população, renda per capita, o desempenho na Olimpíada anterior, e uma variável denotando o país sede.

A ideia é a seguinte. Países mais populosos conseguem explorar a tal da “lei dos grandes números”, ou seja, a probabilidade de que atletas de alto padrão surjam neles é maior do que em países menores. Já países mais ricos têm mais capacidade de realizar investimentos em esportes, o que acaba refletindo em seu desempenho olímpico.

Além disso, o país sede têm um incentivo a mais a buscar mais medalhas em casa, e acaba investindo mais. Isso fora o fator da torcida local – que impulsiona atletas e pressiona árbitros. Por fim, o desempenho passado também deve importar. Afinal, uma geração de bons atletas tende a competir em mais de uma Olimpíada.

Estimamos o modelo considerando os jogos de 1996 a 2016. Ele de fato se ajusta muito bem aos dados. As quatro variáveis têm o sinal esperado conforme a discussão acima. Com base nas estimativas do modelo, realizamos a previsão das medalhas para os jogos de Tóquio. Para tanto, usamos os dados de renda per capita e população de 2019 (ano em que temos informações para a maioria dos países), impusemos o indicador de sede para o Japão, e medimos o desempenho olímpico passado pelos resultados nos jogos de 2016.

Apresentamos os resultados para os vinte primeiros colocados (em termos de número total de medalhas) a seguir. Para um comparativo, mostramos também os dados observados de 2016.

Note que nossa previsão para Tóquio se aproxima bastante do resultado efetivamente observado na Olimpíada do Rio-2016. Isso ocorre porque, no modelo, o desempenho passado é de longe a variável mais importante para explicar o total de medalhas conquistadas pelos países. Em vários casos, os valores para esta edição seriam um pouco mais altos simplesmente porque há mais medalhas em disputa.
Por exemplo, para o Brasil, o modelo prevê que conquistaremos em Tóquio cerca de 2% das medalhas – o que, arredondando, daria um total de 20. Em 2016, tivemos um total de 19 (o que equivaleu a algo muito próximo a 2% das medalhas concedidas naquela edição).

Em breve voltaremos ao assunto para comparar nossas previsões com os resultados finais dos jogos.

Fonte dos dados
Quadro de medalhas e lista de países participantes dos jogos olímpicos de 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016. Wikipedia. Disponíveis em: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_participating_nations_at_the_Summer_Olympic_Games e https://en.wikipedia.org/wiki/All-time_Olympic_Games_medal_table.

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