Quanto tempo dura uma cédula de dinheiro? | Gráfico da Semana

Cédulas sofrem desgaste por causa do uso e precisam ser substituídas. Mas não é só a depreciação física que acaba com o dinheiro. A inflação alta também é mortal, a ponto de tirar completamente uma nota de circulação. Isso é particularmente evidente no período que antecede o Plano Real, quando tivemos taxas de inflação superando os 2.000% ao ano.

Compilamos dados das diversas cédulas que circularam na economia brasileira desde 15 de março de 1970. Na página do Banco Central, constam a data de lançamento da nota e a data em que ela sai de circulação. Calculamos então o seu tempo de vida em dias. O gráfico está abaixo. Detalhes dos cálculos podem ser encontrados ao fim deste texto.



As notas atuais (de real) estão representadas pelas barras vermelhas. As barras azuis dizem respeito às cédulas anteriores ao Plano Real. Foram cinco padrões monetários até 1994: Cruzeiro (1970 a 1986), Cruzado (1986 a 1989), Cruzado Novo (1989 a 1990), Cruzeiro (sim, com o mesmo nome da moeda antiga, de 1990 a 1993) e Cruzeiro Real (1993 a 1994). Finalmente, chegamos ao Real, em circulação há 25 anos.

Inflação alta significa que os preços estão crescendo muito rapidamente. Uma nota pode comprar cada vez menos e os consumidores precisam carregar uma quantidade cada vez maior de dinheiro para realizar suas transações corriqueiras. Para mitigar esse problema, o governo lança notas de denominação maior e retira de circulação aquelas que não valem mais nada. Quanto mais alta a inflação, dessa forma, menor o tempo de vida de uma cédula.

Na semana passada, falamos da nota de 100 mil cruzeiros, lançada em 1985, e que na época era a de maior denominação. Menos de cinco anos mais tarde, ela seria retirada de circulação. Veja no gráfico que as notas de real já são mais longevas que todas as cédulas lançadas desde 1970. E essa diferença vai aumentar ainda mais. Com a inflação brasileira em níveis baixos e controlados, a tendência é que as cédulas de real sobrevivam por um bom tempo.

O gráfico acima traz informação relativa a todas as cédulas que circularam desde 1970. Para facilitar a comparação, produzimos outro gráfico com um conjunto selecionado de notas. Escolhemos uma cédula para representar cada um dos seis padrões monetários que estiveram em vigência durante o período em questão. Especificamente, consideramos a nota de maior denominação quando o padrão se iniciou. Por exemplo, no lançamento do cruzado, em 1986, a nota de maior valor era a de 100 cruzados – que era igual à nota de 100 mil cruzeiros no padrão anterior. No caso do real, a nota de maior de denominação era (e ainda é) a de 100 reais. Note como essa nota já vem sobrevivendo bem mais que suas antecessoras.



Uma observação sobre os dados:

No período analisado, o Brasil teve seis moedas diferentes.

Cruzeiro: 15/5/1970 a 27/2/1986
Cruzado: 28/2/1986 a 15/1/1989
Cruzado Novo: 16/1/1989 a 15/3/1990
Cruzeiro: 16/3/1990 a 31/7/1993
Cruzeiro Real: 1º/8/1993 a 30/6/1994
Real: 1º/7/1994 até os dias atuais

Algumas cédulas fazem parte de padrões monetários diferentes, e foram consideradas como uma única nota. Por exemplo, a nota de 100 mil cruzeiros, de 1985, da qual falamos na semana passada. Ela foi lançada, no Plano Cruzado de 1986, com uma configuração muito parecida, mas com o valor de 100 cruzeiros (refletindo o corte de três zeros na transição do cruzeiro para o cruzado). Nos gráficos, essas duas notas correspondem a uma única barra, marcada com “100 mil cruzeiros / 100 cruzados”.

Para calcular a “idade” das notas de real, foi considerado o dia 9 de julho de 2019. Curiosamente, o Banco Central considera que a nota de um real ainda está em circulação (ainda que não esteja mais sendo produzida).

 

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