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							O ano de 2022 não termina bem para o futuro da economia, parte por culpa do governo que sai, parte por culpa do governo que entra. O cenário externo vai tomando uma cara muito ruim enquanto domesticamente vemos, alguns entre nós estupefatos, uma quantidade enorme de energia sendo despendida na discussão de temas que já deveriam ser consensuais, como a necessidade de rigor fiscal. Vejam o paradoxo aparente, caros leitores: o ano termina com bons resultados para a economia. Desemprego e inflação em baixa e um curto prazo de resultados favoráveis são a marca do Natal presente. Mas, como no conto de Dickens, o que assombra mesmo é o fantasma dos Natais futuros.

Em linhas bem gerais, com a macro em desordem não ocorre crescimento sustentado. Isso é tão básico que chega a ser chato ficar repetindo. Mas fazer o quê? A parte da política monetária parece estar bem ajeitada, com o Banco Central perseguindo seu objetivo inflacionário. Foi um dos primeiros no mundo a iniciar o ciclo de aperto, lá no comecinho de 2021. Já o fiscal, pilar central da macro, tem um futuro mais incerto. A PEC da Transição já gerou ruído demais – 200 bilhões, 80 bilhões, temporária, permanente? – e o governo entrante não dá mostras de ter aprendido com os erros do governo Dilma. Mais grave ainda é ressuscitar a ideia equivocada de abrir as torneiras dos bancos públicos. Essa medida aumentaria a ineficiência da economia, prejudicaria o funcionamento do mercado de crédito e pressionaria a inflação que agora começa a baixar, mas ainda incomoda.

Não dá para errar dessa forma nas questões “fáceis”. O ambiente econômico mundial está ficando azedo rapidamente. As condições financeiras globais estão mais apertadas do que no período pré-covid, e ao que tudo indica o alívio não virá tão cedo. A inflação segue incrivelmente forte nos EUA e na Europa, o que sinaliza juros ainda mais altos nos próximos trimestres. E nosso maior parceiro comercial, a China, está mal das pernas. Não somente a política insana de restrições à mobilidade em pleno 2022 está roubando o fôlego de consumidores e produtores, mas o setor imobiliário está já há alguns meses em trajetória francamente descendente (talvez esse banho de água fria seja bom para que um equilíbrio financeiro melhor se instale, mas o impacto de curto prazo pode ser significativo).

O resumo dessa opereta é: se o país fizer tudo certo no gerenciamento da economia, o ano de 2023 já vai ser difícil. Mais ainda: o objetivo não pode ser meramente “empatar” o jogo. Precisamos logo engrenar para avançar na agenda modernizante. Urge uma reforma tributária baseada em simplificação, uniformização e criação de um imposto de valor agregado de amplo alcance. É para ontem uma reforma administrativa que leve a uma maior produtividade no provimento de bens públicos à sociedade (o setor de educação comporta uma quantidade significativa de pessoas e segue apresentando resultados desanimadores). E precisamos integrar mais nossa economia aos fluxos de comércio mundial. A agenda da desigualdade não pode pôr para escanteio a agenda da eficiência. Precisam andar juntas, de mão dadas e acompanhadas de perto pelo rigor fiscal.

Ou o novo morador do Alvorada toma tenência rápido ou teremos anos amargos pela frente. É bom lembrar que Ebenezer Scrooge mudou de hábitos a tempo e se salvou do destino tenebroso. 

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Vamos olhar para os Natais futuros

O ano de 2022 não termina bem para o futuro da economia, parte por culpa do governo que sai, parte por culpa do governo que entra. O cenário externo vai tomando uma cara muito ruim enquanto domesticamente vemos, alguns entre nós estupefatos, uma quantidade enorme de energia sendo despendida na discussão de temas que já deveriam ser consensuais, como a necessidade de rigor fiscal. Vejam o paradoxo aparente, caros leitores: o ano termina com bons resultados para a economia. Desemprego e inflação em baixa e um curto prazo de resultados favoráveis são a marca do Natal presente. Mas, como no conto de Dickens, o que assombra mesmo é o fantasma dos Natais futuros.

Em linhas bem gerais, com a macro em desordem não ocorre crescimento sustentado. Isso é tão básico que chega a ser chato ficar repetindo. Mas fazer o quê? A parte da política monetária parece estar bem ajeitada, com o Banco Central perseguindo seu objetivo inflacionário. Foi um dos primeiros no mundo a iniciar o ciclo de aperto, lá no comecinho de 2021. Já o fiscal, pilar central da macro, tem um futuro mais incerto. A PEC da Transição já gerou ruído demais – 200 bilhões, 80 bilhões, temporária, permanente? – e o governo entrante não dá mostras de ter aprendido com os erros do governo Dilma. Mais grave ainda é ressuscitar a ideia equivocada de abrir as torneiras dos bancos públicos. Essa medida aumentaria a ineficiência da economia, prejudicaria o funcionamento do mercado de crédito e pressionaria a inflação que agora começa a baixar, mas ainda incomoda.

Não dá para errar dessa forma nas questões “fáceis”. O ambiente econômico mundial está ficando azedo rapidamente. As condições financeiras globais estão mais apertadas do que no período pré-covid, e ao que tudo indica o alívio não virá tão cedo. A inflação segue incrivelmente forte nos EUA e na Europa, o que sinaliza juros ainda mais altos nos próximos trimestres. E nosso maior parceiro comercial, a China, está mal das pernas. Não somente a política insana de restrições à mobilidade em pleno 2022 está roubando o fôlego de consumidores e produtores, mas o setor imobiliário está já há alguns meses em trajetória francamente descendente (talvez esse banho de água fria seja bom para que um equilíbrio financeiro melhor se instale, mas o impacto de curto prazo pode ser significativo).

O resumo dessa opereta é: se o país fizer tudo certo no gerenciamento da economia, o ano de 2023 já vai ser difícil. Mais ainda: o objetivo não pode ser meramente “empatar” o jogo. Precisamos logo engrenar para avançar na agenda modernizante. Urge uma reforma tributária baseada em simplificação, uniformização e criação de um imposto de valor agregado de amplo alcance. É para ontem uma reforma administrativa que leve a uma maior produtividade no provimento de bens públicos à sociedade (o setor de educação comporta uma quantidade significativa de pessoas e segue apresentando resultados desanimadores). E precisamos integrar mais nossa economia aos fluxos de comércio mundial. A agenda da desigualdade não pode pôr para escanteio a agenda da eficiência. Precisam andar juntas, de mão dadas e acompanhadas de perto pelo rigor fiscal.

Ou o novo morador do Alvorada toma tenência rápido ou teremos anos amargos pela frente. É bom lembrar que Ebenezer Scrooge mudou de hábitos a tempo e se salvou do destino tenebroso. 

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