A maior externalidade de todos os tempos

Ninguém gosta, e com razão, que os outros metam o bedelho na sua  vida, dizendo o que pode ou não fazer, em nome de uma moral, um ideal, ou do que seja. Os economistas também pensam assim, para a imensa maioria das situações. Mas não para todas. 

Você está proibido de fumar no seu escritório, por lei. E no ônibus ou metrô também. Sob o ponto de vista da sociedade, o problema todo é que se você fuma num local fechado, eu, que não fumo, tenho que respirar parte da porcaria da fumaça, que depois sobe apagando as estrelas. Nem a estrela apagada nem o meu pulmão entram na sua conta do custo-benefício de fumar. Portanto, o fumante gera a tal externalidade negativa.

A mesma coisa vale para vacinação. Muita gente desinformada – mas que se acha muito informada – opta por não vacinar os filhos. O que constitui um duplo desserviço: para o filho e para a sociedade, pois a enfermidade volta através da criança não imunizada, derrubando a barreira de proteção que se ergue quando temos a maior parte de uma coletividade imunizada. Outro exemplo: uso indiscriminado de antibióticos. O sujeito tem uma dor de garganta e mete um antibiótico para dentro. Quando muitos fazem isso, as bactérias vão ganhando resistência ao antibiótico, que daqui a pouco não serve mais para quem realmente precisa. Sua eficácia foi diluída pelo uso indiscriminado. Portanto, nada de dizer "deixe-me em paz, se for errado, vai fazer mal para mim apenas". Nope!

Enfim chegamos ao Covid-19 e ao lockdown. Em bom português: fica aí quieto na sua casa. Você, ao sair de casa, pode ser o agente que vai levar a morte aos outros. Tremenda externalidade negativa, não? Neste momento, a solução ideal é completo isolamento. Verdade que a estratégia tem seus custos, e verdade também que não pode perdurar por meses. Mas apenas um lunático não reforçaria a importância do distanciamento social agora. Pois o pior dos dois mundos é o lockdown meia-boca: não resolve o problema da disseminação do vírus e continua gerando custos para a economia. Só um lunático não vê o que aconteceu em outros países que negligenciaram o distanciamento social… De lá da lua deve ser difícil mesmo.  


COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE SÃO PAULO

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