A regra de ouro do microempreendedor

O Brasil tem cerca de 8 milhões de microempreendedores formais. O número de informais deve ser muito maior. O Sebrae estima o total em 25 milhões.[1] Se pudéssemos dar uma dica econômico-financeira para esses microempreendedores aumentarem a chance de seus negócios irem para frente, qual seria?

Um artigo publicado numa ótima revista acadêmica da área tentou responder a essa pergunta.[2] Os autores fizeram um experimento com microempreendedores da República Dominicana. Eles dividiram aleatoriamente em dois grupos distintos os 1.193 microempreendedores que se inscreveram para realizar um treinamento. Para o grupo 1 foi oferecido um treinamento completo em matemática financeira, contabilidade e empreendedorismo. Para o grupo 2 não foi oferecido nada disso. A estas pessoas, os autores disseram simplesmente que o microempreendedorismo tem uma “regra de ouro” a ser seguida: não misturar a conta da empresa com a conta pessoal do microempreendedor.

Mais claramente, a regra de ouro diz o seguinte: ao começar um pequeno negócio, a pessoa tem de seguir fielmente três passos. Primeiro ela tem de definir qual é o valor de que precisa por mês para viver. Vamos dizer que, para dar conta dos seus gastos mensais, a pessoa precise de 2 mil reais. Em segundo lugar, em cada mês, durante muito tempo, a pessoa só pode tirar da empresa no máximo esses 2 mil. Nunca, sob hipótese alguma, ela vai tirar mais do que isso. Em terceiro lugar, se em algum mês a empresa lucrar mais do que 2 mil reais, essa sobra deve ser reinvestida na empresa. Simples assim. Essa é a regra de ouro que deve ser seguida até a empresa deslanchar.

O que os autores encontraram? Um resultado bem legal. As chances de os microempreendimentos do grupo 1 irem para a frente não mudaram com o treinamento “completo”. Em contraste, as chances de os microempreendimentos do grupo 2 irem para a frente aumentaram. Mais ainda: quanto menores a escolaridade e a qualificação do empreendedor, maior a vantagem do treinamento com a regra de ouro.

O resultado desse artigo é muito importante. Temos nos preocupado cada vez mais com educação financeira. O número de ações públicas e privadas nessa frente vem aumentando bastante. No entanto, se não pensarmos seriamente em como desenhar essas ações, todo o esforço pode ir pelo ralo. Aparentemente, há também uma regra de ouro para os educadores dessa área: quanto mais simples e claro, melhor.

[1] https://datasebrae.com.br/perfil-dos-empresarios/

[2] Drexler, Fischer, and Schoar (2014). “Keeping it Simple: Financial Literacy and Rules of Thumb”, American Economic Journal: Applied Economics.

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO

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