Airbnb e uma lição sobre preços

Como virou costume quando viajo, procurei um apartamento para alugar no Airbnb.

Infelizmente, a oferta de apartamentos de qualidade para aluguel de curto prazo em São Paulo ainda é limitada. Depois de filtrar por bairro e preço e eliminar os imóveis sem ar condicionado, sobrou-me procurar por quartos de hotel.

Mas um apartamento me despertou a atenção. Era uma unidade com dois quartos e dois banheiros no centro da cidade. A decoração era luxuosa, ainda que datada. Pensei: deve ter vivido sua glória nos anos 70. Fiz cenários: deve ser o apartamento da falecida tia Mirtes, hoje fonte de renda para os sobrinhos. Mas o que me chamou a atenção foi o preço: 800 dólares por dia. Perscrutando as fotos, concluí com confiança que o preço não se devia aos assentos de ouro maciço do toalete ao estilo do palacete de Saddam Hussein. Eram toaletes ordinários. Muito menos o apartamento era servido por algum restaurante listado pelo guia Michelin. E sua localização não permitia uma vista do Central Park ou da Torre Eiffel. Apenas do Largo do Arouche. Eram 800 dólares inexplicáveis.

Aí bateu a curiosidade. Contatei a responsável pelo apartamento (sobrinha da tia Mirtes):

— 800 dólares?

— Não, senhor. São 800 reais.

— Mas o site diz dólares.

— Pode pagar que eu cobro em reais.

Por 800 reais de diária, aquele apartamento ainda estava caro. Talvez a sobrinha da tia Mirtes não entenda como funciona o site e tenha postado um preço errado. Talvez ela tenha querido ganhar um dinheiro fácil e estava procurando um otário. Fiquei na dúvida por alguns dias. Será o preço exorbitante um erro honesto ou uma tentativa de pegar um trouxa?

Notei que o apartamento nunca recebeu uma revisão, e provavelmente nunca foi alugado (nada surpreendente dado o preço). Os otários não têm tirado férias, aparentemente. Na semana seguinte, voltei para o site. O apartamento estava sendo oferecido agora a 500 reais por dia.

Salvo em condições excepcionais – cirurgiões altamente especializados que operem pacientes abastados, ou advogados milagreiros a serviço de milionários corruptos –, vendedores não podem cobrar quanto querem. O consumidor tem o poder de dizer não, atravessar a rua para visitar a outra loja ou consultar o preço do produto nas lojas online.

Precisamos nos lembrar do poder do consumidor sempre que as fadinhas da boa consciência tentam “protegê-lo” com regulações desnecessárias, que coíbem as forças de competição no mercado e tolhem a liberdade dos fornecedores. A sobrinha da tia Mirtes pode cobrar quanto quiser, mas só vai ocupar o apartamento quando pedir o preço certo.

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