Alienígenas, escolas e covid-19

As imagens recentemente divulgadas pelo Pentágono de encontros de pilotos da marinha norte-americana com supostas aeronaves alienígenas são de atiçar a imaginação. Como será (caso realmente existam) sua constituição física? Verdinhos cabeçudos? E sua física e astrofísica: clássica, quântica ou ainda outra? Finalmente, o que pensarão de nós, humanos, esse aglomerado de carbono que em meio a uma epidemia abre bares e restaurantes, mas se recusa a usar máscaras e lota as ruas ao mesmo tempo que mantém as escolas fechadas? 

As contradições humanas (e brasileiras) em plena pandemia se multiplicam, mas reabrir ou não as escolas, reconheçamos, não é mesmo questão trivial. O famoso trade off entre opções é inescapável. Mais contato social, mais transmissão. Por outro lado, escola fechada gera grande prejuízo para as crianças. Escolha difícil. Essa parte deixa alienígenas e terráqueos enlouquecidos.

A seguir, um resumo do grande dilema que se impõe à educação e à sociedade brasileira neste momento:

· Aprendizado online é muito diferente de aprendizado ao vivo e em cores. É muito mais difícil para o professor transmitir conhecimento, e também mais complicado entender a quantas anda a evolução dos pupilos. 

· As dificuldades do aprendizado online são desproporcionalmente maiores para famílias de baixa renda, muitas sem acesso a computadores e sem conexão de internet (ou com conexões de muito baixa qualidade). Além de outras dimensões, como o aumento das ocorrências de maus tratos, que se tornam mais prováveis com aumento do tempo de convívio doméstico e a falta de alimentação adequada em casa, muitas vezes compensada pelas refeições fornecidas pela escola. Adicionalmente, a pressão para a criança de baixa renda abandonar a escola e se engajar no mercado de trabalho é maior, e uma vez feita essa transição torna-se difícil revertê-la. 

· O isolamento provoca um forte impacto psicológico; crianças e jovens são gregários e/ou se beneficiam de interação social. O isolamento prolongado pode levar à depressão, distúrbios alimentares etc.

· Com as crianças em casa, a oferta de trabalho dos adultos fica bastante prejudicada. Mais uma vez, o impacto é desigual para as diferentes classes de renda. Os trabalhos que podem ser realizados de casa (ainda que com queda de produtividade) normalmente são os que envolvem capital humano mais elevado. Além disso, para famílias mais pobres,  nem sempre é factível que apenas um adulto trabalhe enquanto o outro fique com as crianças. 

· Do lado das preocupações, lembremos que, aparentemente, crianças mais novas são menos propensas a desenvolver a doença e transmitir o vírus, mas o mesmo não parece acontecer com as mais velhas (acima de 10 anos) e adolescentes; talvez isso indique que seria razoável iniciar a abertura pelo ensino fundamental. Ao mesmo tempo, não é fácil garantir que os menores mantenham-se de máscaras e respeitem o protocolo de distanciamento.

· Para os professores o risco é maior. Para minimizá-lo, seria interessante manter os de mais de, digamos, 50 anos em casa até surgimento da vacina.  Também seria necessário impor protocolos rígidos de segurança na escola, como testes/temperatura na entrada,  redução das turmas, recreios revezados, máscaras para todos, higienização profissional dos ambientes etc. 

Esse é o balanço. Tudo tem custo e benefício: é importante que a sociedade consiga chegar a um consenso sobre o peso atribuído aos diversos itens do trade off.  Só não dá para, enquanto se discute a educação (e a vida) dos jovens do país, fingir que nada está acontecendo e lotar bares e ruas – sem máscara. Aí já é de pirar o cabeção dos alienígenas. 

COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE SÃO PAULO

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