À procura de emprego

Para simplificar a explicação, suponha que a PEA está constante e que só haja migração de pessoas da PO (empregados) para a PD (desempregados) - e vice-versa. Nesse caso, a taxa de desemprego será menor quanto maior for a quantidade de empregados (o que, com a PEA constante, significa menor quantidade de desempregados); e maior quanto menor for a quantidade de empregados (o que implica maior número de desempregados).

Mas como as quantidades de empregados e desempregados evoluem ao longo do tempo?

É interessante analisar essa questão dos dois pontos de vista: tanto dos empregados e desempregados quanto dos empregadores e potenciais empregadores. Empregados podem se desempregados quando se demitem ou são demitidos de seus empregos. Já desempregados podem se transformar em empregados ao serem contratados por empregadores.

Vamos analisar esse segundo processo mais de perto?

Quando estão interessadas em contratar pessoas para exercer alguma tarefa, as empresas abrem vagas de trabalho. Em geral, a companhia não ocupa essa vaga imediatamente. Leva certo período de tempo de busca ativa, que pode ser curto ou longo, e, em geral, envolve a utilização de algum tipo de anúncio de vaga e realização de entrevistas e testes com potenciais candidatos, até que a empresa encontre alguém que considere adequado para a vaga. E, além disso, claro, a pessoa precisa aceitar esse emprego dado o salário oferecido pela firma.

De maneira semelhante, desempregados não ocupam a primeira vaga de trabalho que encontram. Em geral, um indivíduo desempregado busca uma vaga que, levando em conta a sua qualificação, tenha um salário atrativo, boas condições de trabalho ou que envolva atividades que lhe dê satisfação pessoal. Ao mesmo tempo, o desempregado precisa encontrar uma ocupação que se aproxime (ou, ao menos, não esteja demasiadamente longe) de tais características ideias e cuja empresa responsável queira ocupá-la com ele. Tal e qual para as empresas, esse processo do lado do trabalhador também não é imediato. Leva tempo para a pessoa encontrar algumas opções de emprego e decidir se aceita ou não salários e condições de trabalho propostos.

Empresas buscam pessoas com certas características para ocuparem vagas de trabalho. Desempregados procuram vagas que sejam atrativas do seu ponto de vista. A vaga só é ocupada quando há um pareamento de interesses entre empresas e desempregados. Ou seja, quando a firma deseja contratar o desempregado e o desempregado deseja ocupar a vaga oferecida.

Portanto, é perfeitamente possível – e também bastante comum – que haja, simultaneamente, vagas de trabalho em aberto e trabalhadores que não conseguem emprego. Primeiro, porque as empresas podem não aceitar qualquer um para ocupar as vagas e/ou os desempregados podem não aceitar qualquer emprego. Segundo, pode não haver contratação porque as partes possuem informação imperfeita - em outras palavras, porque a empresa não fica sabendo de um desempregado que ela estaria disposta a contratar, bem como esse desempregado não fica sabendo da vaga a qual ele desejaria ocupar.

Assim temos, de um lado, o fluxo do emprego para o desemprego, dado pelas demissões e, de outro, o fluxo do desemprego para o emprego, dado pelas contratações (que dependem do pareamento de desempregados e vagas).

Como, imediatamente, empresas não encontram trabalhadores para suas vagas e desempregados não acham vagas, sempre haverá trabalhadores na condição de desemprego. Se uma economia cresce a 10% ao ano, mesmo assim, a taxa de desemprego existirá, ainda que seja relativamente pequena. Mas ela nunca será igual.

A variação da taxa de desemprego num período qualquer depende de qual dos dois fluxos tiver sido o maior. Esses fluxos estão ilustrados no diagrama abaixo. A seta verde indica o fluxo do desemprego para o emprego, isto é, de pessoas inicialmente empregadas que deixaram seus empregos; e a seta verde indica o fluxo no sentido contrário, isto é, de pessoas inicialmente desempregadas que encontraram um novo emprego, e aceitaram as condições propostas pelos empregadores.

desemprego 3

Se o fluxo de demissões for maior que o de contratações (seta vermelha mais forte que a verde), a taxa de desemprego aumenta. Por outro lado, se o fluxo de contratações for maior que o de demissões (seta verde mais forte que a vermelha), a taxa de desemprego diminui.

Quando o ritmo de demissões e contratações for igual, a taxa de desemprego permanecerá estável. Note: essa situação é compatível com a existência de demissões, desde que compensadas por uma quantidade igual de contratações. Uma taxa de desemprego constante, dessa forma, pode vir acompanhada de mudanças com relação a quais pessoas em particular estão empregadas e desempregadas em cada instante do tempo - desde que a proporção de desempregados não se altere.

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