Planejamento central, uma alternativa ao sistema de preços

O planejamento central é uma forma alternativa ao mercado para alocar recursos escassos, na qual se basearam as experiências de países comunistas. Nesse sistema, o Estado decide diretamente o que será produzido e quanto será dado a cada pessoa.

Em tese, esse sistema poderia garantir maior equidade entre os indivíduos, na medida em que não necessariamente exclui consumidores com base em sua renda/riqueza. Na prática isso pode não ocorrer, caso as pessoas encarregadas de fazer a distribuição de recursos escassos não priorizem o bem-estar social.

Mas, mesmo que as pessoas que governam sejam bem intencionadas, há um problema ainda maior, relacionado com questões informacionais.

O ideal, em termos de bem-estar econômico e social, é distribuir recursos de acordo com as preferências e necessidades de cada pessoa: dez chocolates para todos, dado que uns gostam mais de chocolate e outros mais de frutas, não parece apropriado. Em outras palavras, a prioridade para o consumo deve ser dada a quem valoriza mais o bem. No mecanismo de mercado, isso é realizado pelo sistema de preços.

E no planejamento central? Seria necessário saber quanto cada pessoa valoriza cada um dos bens da economia. E, isso, é virtualmente impossível.

Digamos que o planejador central possua 1 mil aparelhos de televisão para serem distribuídos entre 10 mil pessoas. Ele gostaria de dar prioridade aos indivíduos que mais gostam de assistir TV. Ele, então, precisa saber quanto cada uma das 10 mil pessoas valoriza o aparelho. Mas há um problema ainda maior: as pessoas têm incentivo a mentir e inflar suas valorações para conseguirem o aparelho.

Em uma economia com planejamento central, o Estado ainda precisa decidir quanto de cada recurso produtivo (mão de obra, máquinas, terra, recursos naturais, etc.) irá alocar para as diversas atividades econômicas. E, novamente, por causa da questão informacional, erros de alocação são prováveis.

Imagine que as pessoas gostem muito de carne e pouco de frango e que o governo não saiba disso com precisão. Consequentemente, a economia pode produzir muito frango e pouca carne, o que levará a escassez de carne e excesso de frango. O que isso significa? Que recursos foram desperdiçados. Poderiam ter sido empregados mais pesadamente na produção de carne (mais favorecida pela população) e menos na de frango (menos favorecido pelas preferências das pessoas).

Em uma economia de mercado isso não ocorreria. A preferência maior por carne se traduziria em um preço mais caro para esse tipo de alimento, incentivando produtores a alocar mais recursos para essa atividade e, logo, produzir mais carne.

Dados esses desafios, em uma economia planejada haverá, inevitavelmente, uma série de equívocos na alocação de recursos. Em particular, recursos serão empregados em atividades pouco rentáveis ou pouco desejáveis, o que dá origem a desperdício e ineficiência. E esses recursos deixam de ser alocados na produção de itens que as pessoas valorizam, os quais acabam tendo sua oferta diminuída.

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