Por que o governo é quem toca a Previdência?

A pergunta não é nada trivial. As pessoas sabem que têm três bem possíveis destinos: ou vão parar de trabalhar, ou trabalharão menos ou ganharão menos. Logo, não deveriam elas, por si próprias, poupar parte da renda para financiar gastos futuros? De fato, em países onde o sistema de Previdência é pouco benevolente, a poupança das famílias tende a ser mais elevada, como na China.

Mas então por que não zeramos os gastos e impostos previdenciários e deixamos cada um poupar o quanto quiser para custear suas despesas futuras, livres da intervenção governamental?

A primeira razão: para operações em que o custo vem no curto prazo e os ganhos só acontecem lá na frente, muita gente não é plenamente racional. Esse é o caso da poupança para velhice. Deixar de gastar hoje para poder gastar mais no futuro é um hábito difícil de incorporar, porque somos, de modo geral, pessoas imprevidentes, que cedem com facilidade a tentações. Dito de outro modo: poupar é como tentar emagrecer, você deixa sempre para começar na semana que vem. Então, se o governo não interfere, os idosos chegam à idade de aposentadoria sem recursos. E ninguém vai querer deixá-los desamparados na velhice como punição por sua imprevidência de cigarra (lembram-se da fábula da cigarra e da formiga?) nos anos de juventude. Portanto, nesse cenário hipotético, os jovens do futuro teriam que bancar a conta da previdência dos imprevidentes do passado. A ação das cigarras pune as formigas. Ou seja, ocorre uma externalidade negativa. Para evitar esse problema, precisamos da mão forte do governo.

Realização

Bei editora

Apoio

CP+B
Usamos cookies por vários motivos, como manter o site do PQ? confiável ​​e seguro, personalizar conteúdo e anúncios,
fornecer recursos de mídia social e analisar como o site é usado. Para maiores informações clique aqui.