Chegou a hora da virada?

A crise começou em 2014. Os números da economia desciam a ladeira nos meses anteriores à Copa do Mundo. Depois da semifinal no Mineirão, a piada corrente no mercado financeiro era esta: o Brasil era o país do 7 a 1, com 7 de inflação e 1 de crescimento.

Mas o tempo passou e mostrou que essa previsão era generosa: a inflação chegou aos 10% ao ano e o crescimento virou encolhimento, de mais de 3% ao ano.

Mas, assim como a Seleção reencontrou seu jogo com a chegada de Tite (antes tarde do que nunca!), tendo em 2016 até goleado a Argentina no mesmo Mineirão do vexame recente, a economia dá sinais de melhora.

A inflação finalmente caminha rumo à meta de 4,5% ao ano. Isso, por si só, já gera um alento. Sinaliza que a política de juros altos cumpriu seu papel e pode ser afrouxada nos meses à frente.

Só que há mais desafios a vencer. Sem uma reforma da Previdência, por exemplo, o país tem data marcada com a catástrofe fiscal. Teremos também de resistir à chantagem de corporações empenhadas em extrair mais grana da sociedade – o exemplo mais evidente é o da greve dos policiais militares do Espírito Santo.

De todo modo, o governo tem conseguido aprovar reformas no Congresso.

Antecipando-se à maior estabilidade da economia, com juros caindo e algumas boas notícias sobre as contas públicas, os números do quarto trimestre do ano passado apontam para uma recuperação mais palpável.

Espera-se que esse movimento ganhe gás. O alto nível de desemprego é uma oportunidade para empresas contratarem. A inflação controlada representa continuidade na queda dos juros. Nossos bancos - que, sabemos, têm bala na agulha - já esfregam as mãos para expandir o crédito.

E, cá entre nós, a Seleção do Tite joga um bolão.

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