Como seria o mundo sem consumismo?

É compreensível a crítica de muita gente ao tal do consumismo. A criançada gritando com pais pela última versão de um jogo; pais endividados até o pescoço porque não conseguem deixar de comprar aquela roupa caríssima (da qual logo enjoam), uma certa superficialidade de modos, um ritmo frenético e açodado na relação com as coisas materiais.

Sem querer meter o bedelho nas escolhas das pessoas, parece meio deprimente mesmo (claro que tem um montão de coisas que mesmo os não consumistas têm enorme prazer em desfrutar –um bom tratamento médico, estradas em ordem, uma casa com calefação; boas escolas; comida de qualidade, etc– mas essa é outra história).

Muitas vezes, no entanto, essas críticas vêm associadas a censuras ao sistema de mercado, à economia moderna, que não sobreviveria sem a tal praga do consumismo. Essa visão está equivocada: o consumismo desenfreado não é determinado pela economia de mercado.

Pergunte-se o que ocorreria se, de hoje para amanhã, todas as pessoas do mundo reduzissem suas demandas por todos os tipos de bens. Os anticonsumistas ganharam a batalha das ideias e todos, voluntariamente, passamos a comprar menos roupas, viajar menos, comer mais moderadamente, etc. A economia de mercado cai de joelhos?

Não. Dadas as mesmas tecnologias, as pessoas passariam a trabalhar menos. Só isso. Segunda-feira? Praia lotada! Terça? Todo mundo no museu ou lendo livros em praça pública! Não seria maravilhoso? O PIB? Sim, esse seria menor, mas com a turma trabalhando 4 horas por dia, você quer o quê?

Façamos um outro experimento, mais ameno. Suponhamos que os anseios de consumo da sociedade parem de crescer a partir de amanhã. Mas que empresários e pesquisadores continuem encontrando meios mais eficazes de fazer as coisas, como tem acontecido nos últimos 200 anos. O que ocorre?

As horas trabalhadas vão declinar também: tudo que se quer consumir pode ser produzido em menos tempo. Segunda-feira? Praia lotada!

A culpa do consumismo desenfreado que leva a dívidas e brigas não deve ser jogada nas costas do pobre do mercado: não será mais justo creditá-la à nossa dificuldade em conciliar possibilidades, desejos e necessidades?
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