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No mundo moderno, o dinheiro anda rápido de país para país. Os investidores, sejam eles de onde forem, podem comprar ou vender coisas em vários países de uma maneira mais fácil e direta do que 50 anos atrás. Essa integração torna os países interconectados: problemas em um afetam outros e vice-versa. Isso é particularmente forte em relação aos Estados Unidos, que têm a maior economia do mundo e a moeda mais importante – o dólar, referência em transações internacionais. O que acontece no mundo e envolve os Estados Unidos cria ondas em outros lugares.

Um caso como o bombardeio na Síria pode afetar nosso pacato Brasil por uma série de canais. É importante ter em mente que por enquanto, todos os cenários são suposições; o futuro é imprevisível. Mas vamos explorar dois canais e algumas hipóteses.

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Um canal por onde o Brasil seria afetado é a taxa de juros americana. Atualmente ela está em 1% ao ano. Se os juros americanos sobem, fica relativamente mais lucrativo investir nos Estados Unidos. Isso não quer dizer que todo o dinheiro dos investidores vá para lá, mas que vai uma parte maior do que ia anteriormente. Vamos supor que Zé mantinha 80% de seus recursos no Brasil e 20% nos Estados Unidos. Com os juros americanos aumentando em 0,25%, ele decide manter 70% no Brasil e 30% nos Estados Unidos. Assim, saem dólares do Brasil e, seguindo a lógica de oferta e demanda, o preço do dólar aumenta e o real se desvaloriza.

É possível calcular as probabilidades de quase tudo. No caso dos riscos geopolíticos, no entanto, as incertezas são bastante intensas. Ninguém tem informações perfeitas sobre os acontecimentos – é para isso que servem as agências de inteligência, que colhem novos dados e fatos, normalmente ocultos do público geral. É vantajoso para os players globais esconder certas informações na manga – afinal, no jogo diplomático, informação é essencial, principalmente aquelas que os outros não detêm.

Assim, como Assad reagirá aos bombardeios americanos? Os Estados Unidos continuarão atacando alvos sírios? Se sim, quais, e por quanto tempo? Isso vai evoluir para um conflito armado mais amplo? Como isso vai afetar a relação do recém-empossado governo Trump com a Rússia? São perguntas interessantes por si só que não pretenderemos responder, mas que ilustram as incertezas dos conflitos geopolíticos. Há ainda o fato de que a atual presidência americana é pouco convencional. Até semana passada, Rex Tillerson, secretário de Estado americano, defendia uma maior aproximação com o governo sírio.

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O conflito sírio, em especial, ocorre no Oriente Médio, uma região instável cujos conflitos são integrados e envolvem normalmente todos os players da região. Por causa disso, o preço do barril de petróleo experimentou uma alta após os bombardeios. O risco de uma queda na produção do petróleo é baixo, mas os acontecimentos já foram o bastante para causar um aumento nos preços.

Quando a incerteza global sobe no geral, os investidores se tornam mais avessos ao risco. O ouro, que é considerado um ativo seguro, experimentou uma alta após os bombardeios americanos. Investidores buscam segurança em tais cenários. E mercados emergentes são arriscados por uma série de fatores.

Tomemos a reforma da Previdência, por exemplo. O placar do Estadão, recém-lançado, apontava uma enorme desvantagem para o governo na aprovação da reforma – algo como 90 deputados a favor e 250 contra. Claro que os que são a favor normalmente esconderão o jogo, evitando impopularidades antes da votação, mas o placar foi suficiente para aumentar o risco fiscal brasileiro. A Bolsa caiu e o dólar subiu.

Quais os riscos de um conflito geopolítico , ou pelo menos dessa incerteza, para o Brasil? Pensemos no primeiro canal, os juros americanos. Suponhamos que o bombardeio à Síria seja bem visto internamente nos Estados Unidos e melhore a posição de Trump com o Congresso e com os Republicanos americanos (o inverso também poderia ocorrer, se o Congresso questionar o fato de Trump ter emitido a ordem sem aprovação e isso danificar a relação entre ambos). Se aumentar a probabilidade de Trump passar seu plano econômico, que envolve corte de impostos e aumento de gastos, aumenta também a possibilidade de um déficit maior, e portanto, mais pressão inflacionária.

Como bem sabemos, a taxa de juros é um dos instrumentos que afetam a taxa de inflação. Como também sabemos, déficits fiscais do governo pressionam a inflação para cima. Se a agenda econômica de Trump começar a mostrar sinais de que possa ser aprovada, o FED pode considerar aumentar mais sua taxa de juros, por exemplo. Se a taxa americana aumentar, os investidores colocarão mais recursos nos Estados Unidos e menos no Brasil, relativamente. Se a taxa de juros brasileira estiver em queda, o movimento se amplifica, pois a lucratividade do dinheiro aqui também diminui. Pode ocorrer uma alta muito forte do dólar, e o Banco Central pode repensar o ritmo da queda de juros. Atualmente, pela queda do risco país e no atual nível (alto) da taxa de juros real, isso é pouco provável; há muito espaço para a queda dos juros. Mas é importante conhecermos e entendermos esse canal.

O segundo canal é a incerteza global generalizada. Se o risco global aumenta, os investidores vão exigir taxas de juros maiores para manter seu dinheiro em mercados emergentes, mais arriscados, como o Brasil. Nesse caso, o ritmo da queda dos juros também poderia ser afetado. Isso depende especialmente do cenário mundial e dos próximos acontecimentos geopolíticos Novamente, é pouco provável que isso vá mudar as decisões do BC sobre a queda dos juros, mas se um caça americano explodisse um avião russo por engano, a situação seria diferente. O risco global aumentaria drasticamente.

Esses são alguns exemplos de como o cenário internacional pode afetar o Brasil. É improvável, no entanto, que esses fatores cheguem a ter um efeito relevante. Atualmente, nossos maiores riscos estão dentro das nossas próprias fronteiras, dadas as reformas econômicas que estão em curso e precisam ser aprovadas no Congresso.

Como Trump e a guerra na Síria podem afetar o Brasil

No mundo moderno, o dinheiro anda rápido de país para país. Os investidores, sejam eles de onde forem, podem comprar ou vender coisas em vários países de uma maneira mais fácil e direta do que 50 anos atrás. Essa integração torna os países interconectados: problemas em um afetam outros e vice-versa. Isso é particularmente forte em relação aos Estados Unidos, que têm a maior economia do mundo e a moeda mais importante – o dólar, referência em transações internacionais. O que acontece no mundo e envolve os Estados Unidos cria ondas em outros lugares. Um caso como o bombardeio na Síria pode afetar nosso pacato Brasil por uma série de canais. É importante ter em mente que por enquanto, todos os cenários são suposições; o futuro é imprevisível. Mas vamos explorar dois canais e algumas hipóteses. VEJA TAMBÉM: http://porque.com.br//quem-vai-pagar-o-muro-de-trump/ Um canal por onde o Brasil seria afetado é a taxa de juros americana. Atualmente ela está em 1% ao ano. Se os juros americanos sobem, fica relativamente mais lucrativo investir nos Estados Unidos. Isso não quer dizer que todo o dinheiro dos investidores vá para lá, mas que vai uma parte maior do que ia anteriormente. Vamos supor que Zé mantinha 80% de seus recursos no Brasil e 20% nos Estados Unidos. Com os juros americanos aumentando em 0,25%, ele decide manter 70% no Brasil e 30% nos Estados Unidos. Assim, saem dólares do Brasil e, seguindo a lógica de oferta e demanda, o preço do dólar aumenta e o real se desvaloriza. É possível calcular as probabilidades de quase tudo. No caso dos riscos geopolíticos, no entanto, as incertezas são bastante intensas. Ninguém tem informações perfeitas sobre os acontecimentos – é para isso que servem as agências de inteligência, que colhem novos dados e fatos, normalmente ocultos do público geral. É vantajoso para os players globais esconder certas informações na manga – afinal, no jogo diplomático, informação é essencial, principalmente aquelas que os outros não detêm. Assim, como Assad reagirá aos bombardeios americanos? Os Estados Unidos continuarão atacando alvos sírios? Se sim, quais, e por quanto tempo? Isso vai evoluir para um conflito armado mais amplo? Como isso vai afetar a relação do recém-empossado governo Trump com a Rússia? São perguntas interessantes por si só que não pretenderemos responder, mas que ilustram as incertezas dos conflitos geopolíticos. Há ainda o fato de que a atual presidência americana é pouco convencional. Até semana passada, Rex Tillerson, secretário de Estado americano, defendia uma maior aproximação com o governo sírio. VEJA TAMBÉM: http://porque.com.br//por-que-donald-trump-e-um-risco-para-o-mundo/ O conflito sírio, em especial, ocorre no Oriente Médio, uma região instável cujos conflitos são integrados e envolvem normalmente todos os players da região. Por causa disso, o preço do barril de petróleo experimentou uma alta após os bombardeios. O risco de uma queda na produção do petróleo é baixo, mas os acontecimentos já foram o bastante para causar um aumento nos preços. Quando a incerteza global sobe no geral, os investidores se tornam mais avessos ao risco. O ouro, que é considerado um ativo seguro, experimentou uma alta após os bombardeios americanos. Investidores buscam segurança em tais cenários. E mercados emergentes são arriscados por uma série de fatores. Tomemos a reforma da Previdência, por exemplo. O placar do Estadão, recém-lançado, apontava uma enorme desvantagem para o governo na aprovação da reforma – algo como 90 deputados a favor e 250 contra. Claro que os que são a favor normalmente esconderão o jogo, evitando impopularidades antes da votação, mas o placar foi suficiente para aumentar o risco fiscal brasileiro. A Bolsa caiu e o dólar subiu. Quais os riscos de um conflito geopolítico , ou pelo menos dessa incerteza, para o Brasil? Pensemos no primeiro canal, os juros americanos. Suponhamos que o bombardeio à Síria seja bem visto internamente nos Estados Unidos e melhore a posição de Trump com o Congresso e com os Republicanos americanos (o inverso também poderia ocorrer, se o Congresso questionar o fato de Trump ter emitido a ordem sem aprovação e isso danificar a relação entre ambos). Se aumentar a probabilidade de Trump passar seu plano econômico, que envolve corte de impostos e aumento de gastos, aumenta também a possibilidade de um déficit maior, e portanto, mais pressão inflacionária. Como bem sabemos, a taxa de juros é um dos instrumentos que afetam a taxa de inflação. Como também sabemos, déficits fiscais do governo pressionam a inflação para cima. Se a agenda econômica de Trump começar a mostrar sinais de que possa ser aprovada, o FED pode considerar aumentar mais sua taxa de juros, por exemplo. Se a taxa americana aumentar, os investidores colocarão mais recursos nos Estados Unidos e menos no Brasil, relativamente. Se a taxa de juros brasileira estiver em queda, o movimento se amplifica, pois a lucratividade do dinheiro aqui também diminui. Pode ocorrer uma alta muito forte do dólar, e o Banco Central pode repensar o ritmo da queda de juros. Atualmente, pela queda do risco país e no atual nível (alto) da taxa de juros real, isso é pouco provável; há muito espaço para a queda dos juros. Mas é importante conhecermos e entendermos esse canal. O segundo canal é a incerteza global generalizada. Se o risco global aumenta, os investidores vão exigir taxas de juros maiores para manter seu dinheiro em mercados emergentes, mais arriscados, como o Brasil. Nesse caso, o ritmo da queda dos juros também poderia ser afetado. Isso depende especialmente do cenário mundial e dos próximos acontecimentos geopolíticos Novamente, é pouco provável que isso vá mudar as decisões do BC sobre a queda dos juros, mas se um caça americano explodisse um avião russo por engano, a situação seria diferente. O risco global aumentaria drasticamente. Esses são alguns exemplos de como o cenário internacional pode afetar o Brasil. É improvável, no entanto, que esses fatores cheguem a ter um efeito relevante. Atualmente, nossos maiores riscos estão dentro das nossas próprias fronteiras, dadas as reformas econômicas que estão em curso e precisam ser aprovadas no Congresso.
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