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As eleições estão aí na virada da esquina, e o Brasil chega em outubro dividido, fraturado, cheio de problemas econômicos. O futuro nunca pareceu tão distante, e o cansaço com a mesmice e a canalhice na política gera solo fértil para radicais e salvadores da pátria com propostas destrambelhadas. O perigo está à vista.

A economia do país caminha no fio da navalha, respira por aparelhos. Como já dissemos anteriormente, a dívida do governo vai bater ali nos 100% do PIB logo, logo (a maior, disparada, entre as economias emergentes), antes de recuar – isso se recuar! Uma reviravolta fiscal, que coloque as contas pública numa trajetória benigna, é a prioridade número 1 do próximo governo; na verdade a prioridade número 0. E não se pode falar de modo sério nesse tema sem que abordemos a questão previdenciária, de longe a conta mais salgada do Orçamento – essa, sim, representando perto de 50% de tudo que se gasta.

Mas como você aprova uma reforma constitucional espinhosa num país onde a política foi tomada pelo ódio? Como um radical de direita ou de esquerda vai estender a mão para o perdedor do pleito nesse clima de conflagração? Não vai conseguir, e o país, governado por um radical, muito provavelmente vai descender ao caos. Esse pode ser de três tipos.

No caos do tipo I, o governo tenta caminhar na direção das reformas necessárias, ainda que tortamente. Só que não consegue. Não consegue porque, ao contrário do que se costuma dizer, não basta “vontade política” para mudar a Constituição. É preciso saber negociar, ter capital reputacional para oferecer a colherinha com o remédio amargo e, por fim, estar muito convicto da sua necessidade. Caso contrário, não tem como cooptar – no bom sentido – a sociedade e a classe política. Com greves nas ruas e sociedade dividida, o que se faz no desespero da falta de apoio? Ou o presidente vira um pato manco já no primeiro ano, e o país enfrenta o risco de mais um impedimento, ou ele opta por uma saída autoritária. Um Congresso fechado aqui, um Judiciário turbinado com novos juízes apoiadores ali, ou uma combinação dessas coisas. E o futuro mais distante fica.



No caos do tipo II, o candidato fala uma sequencia de impropérios na campanha, despreza a aritmética da dívida – entre outras – e promete punir o grupo que puniu os das suas fileiras. É igualmente conflito aberto, com a agravante da proposta econômica nem sequer ter traço de andar na direção correta. No inferno do tipo II, a hipótese de trabalho é que durante a campanha vale tudo, como dizer que independência de Banco Central é sinônimo de tirar comida da mesa das famílias. Fala-se agora qualquer coisa, mas tenta-se retomar racionalidade pouco depois. O bobo da corte, a quem havia sido prometido o cargo de ministro da Fazenda, é devidamente defenestrado, e chama-se para seu lugar alguém mais razoável. É o famoso estelionato eleitoral, amigo leitor, que já sabemos que não termina nada bem. O preço a pagar para governar é alto, talvez alto demais, e a saída não democrática, dessa vez a la Venezuela, passa a ser uma opção.

 


No caos do tipo III, ao menos chegamos ao inferno mais rapidamente, pegando um atalho. Não somente a retórica eleitoral é sem pé nem cabeça, mas, pasme o leitor, o novo governo acredita que as soluções apresentadas pelo bobo da corte desconhecedor de aritmética podem dar certo! Não precisamos de reformas econômicas, o déficit da previdência não existe, etc. A saída é via BNDES e afins, a redenção está na volta do investimento público, na imposição de perdões da dívida e num maior controle sobre as ações do Banco Central. Tudo que sabemos só trará pioras para a economia do país; tudo que justamente já tentamos nos anos de 2012, 2013 e 2014, e que nos empurrou para uma economia anêmica e desemprego recorde.


O cenário é pouco alvissareiro para 2019. Não apoiamos nenhuma candidatura em particular, mas tememos sim o radicalismo, o discurso do ódio e a insensatez das propostas econômicas dos que hoje estão à frente na corrida eleitoral.

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De esquerda ou direita, o que esperar de um presidente radical?

? As eleições estão aí na virada da esquina, e o Brasil chega em outubro dividido, fraturado, cheio de problemas econômicos. O futuro nunca pareceu tão distante, e o cansaço com a mesmice e a canalhice na política gera solo fértil para radicais e salvadores da pátria com propostas destrambelhadas. O perigo está à vista. A economia do país caminha no fio da navalha, respira por aparelhos. Como já dissemos anteriormente, a dívida do governo vai bater ali nos 100% do PIB logo, logo (a maior, disparada, entre as economias emergentes), antes de recuar – isso se recuar! Uma reviravolta fiscal, que coloque as contas pública numa trajetória benigna, é a prioridade número 1 do próximo governo; na verdade a prioridade número 0. E não se pode falar de modo sério nesse tema sem que abordemos a questão previdenciária, de longe a conta mais salgada do Orçamento – essa, sim, representando perto de 50% de tudo que se gasta. Mas como você aprova uma reforma constitucional espinhosa num país onde a política foi tomada pelo ódio? Como um radical de direita ou de esquerda vai estender a mão para o perdedor do pleito nesse clima de conflagração? Não vai conseguir, e o país, governado por um radical, muito provavelmente vai descender ao caos. Esse pode ser de três tipos. No caos do tipo I, o governo tenta caminhar na direção das reformas necessárias, ainda que tortamente. Só que não consegue. Não consegue porque, ao contrário do que se costuma dizer, não basta “vontade política” para mudar a Constituição. É preciso saber negociar, ter capital reputacional para oferecer a colherinha com o remédio amargo e, por fim, estar muito convicto da sua necessidade. Caso contrário, não tem como cooptar – no bom sentido – a sociedade e a classe política. Com greves nas ruas e sociedade dividida, o que se faz no desespero da falta de apoio? Ou o presidente vira um pato manco já no primeiro ano, e o país enfrenta o risco de mais um impedimento, ou ele opta por uma saída autoritária. Um Congresso fechado aqui, um Judiciário turbinado com novos juízes apoiadores ali, ou uma combinação dessas coisas. E o futuro mais distante fica. ? No caos do tipo II, o candidato fala uma sequencia de impropérios na campanha, despreza a aritmética da dívida – entre outras – e promete punir o grupo que puniu os das suas fileiras. É igualmente conflito aberto, com a agravante da proposta econômica nem sequer ter traço de andar na direção correta. No inferno do tipo II, a hipótese de trabalho é que durante a campanha vale tudo, como dizer que independência de Banco Central é sinônimo de tirar comida da mesa das famílias. Fala-se agora qualquer coisa, mas tenta-se retomar racionalidade pouco depois. O bobo da corte, a quem havia sido prometido o cargo de ministro da Fazenda, é devidamente defenestrado, e chama-se para seu lugar alguém mais razoável. É o famoso estelionato eleitoral, amigo leitor, que já sabemos que não termina nada bem. O preço a pagar para governar é alto, talvez alto demais, e a saída não democrática, dessa vez a la Venezuela, passa a ser uma opção.   ? No caos do tipo III, ao menos chegamos ao inferno mais rapidamente, pegando um atalho. Não somente a retórica eleitoral é sem pé nem cabeça, mas, pasme o leitor, o novo governo acredita que as soluções apresentadas pelo bobo da corte desconhecedor de aritmética podem dar certo! Não precisamos de reformas econômicas, o déficit da previdência não existe, etc. A saída é via BNDES e afins, a redenção está na volta do investimento público, na imposição de perdões da dívida e num maior controle sobre as ações do Banco Central. Tudo que sabemos só trará pioras para a economia do país; tudo que justamente já tentamos nos anos de 2012, 2013 e 2014, e que nos empurrou para uma economia anêmica e desemprego recorde. ? O cenário é pouco alvissareiro para 2019. Não apoiamos nenhuma candidatura em particular, mas tememos sim o radicalismo, o discurso do ódio e a insensatez das propostas econômicas dos que hoje estão à frente na corrida eleitoral. Leia e compartilhe o manifesto Mulheres não fogem à luta   Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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