E a taxa de juros, hein?

No Brasil dos últimos anos, testemunhamos um quase-milagre que para muitos não passou despercebido: a taxa de juros doméstica foi reduzida a um patamar civilizado. Pela primeira vez na história da República, os juros reais de curto prazo foram parar ali nas redondezas de zero sem que isso gerasse uma alta da inflação. Mas como o leitor bem sabe, milagres não existem. O que existe é fruto colhido de melhoras institucionais. 

No gráfico a seguir, o azul representa a taxa de juro básica, a Selic, e o rosa, a inflação central. Essa última é a inflação que desconsidera tanto as altas de preços muito vultososas como as muito anêmicas. No jargão estatístico, é a inflação após o corte das caudas da distribuição. Por fim, as barrinhas embaixo são a diferença dessas duas linhas, o juro real. 

O gráfico deixa claro que o juro real cai muito no início do governo Dilma mesmo com uma inflação ainda acima de 5%. Um erro clássico: só se reduz juro quando a inflação está sob controle. Dito e feito, a inflação acelera para patamares bastante elevados entre 2013 e 2016. Note-se que o BC percebe o equívoco e já em 2014 começa a reagir. Mas os ganhos em termos de inflação tomam algum tempo, e na época, enquanto o Banco Central subia a Selic, o BNDES jorrava crédito na economia a taxas muito mais baixas. 

O quadro começa a mudar de figura em 2016/2017, com a mudança no regime para-fiscal do BNDES e com a manutenção do juro real em patamares ainda mais elevados que os de 2015. Consequência: a inflação desaba num movimento que já dura mais de 3 anos. E é depois da queda contundente da inflação que o juro é reduzido, de forma não menos contundente. Em termos reais, hoje está em zero, ou perto disso. 
Vai ficar por aí?

Certamente não, dado que estamos no meio de uma gravíssima recessão. Com a normalização gradual da economia, os juros reais vão subir.  Tudo bem. A pergunta relevante é se vão subir mas continuar civilizados. 

A resposta é o famigerado “depende”. E não depende do BC, mas sim do ocorrerá com a política fiscal. Se entrarmos no modo de gastança permanente, dívida explosiva etc, não tem como o juro seguir civilizado. Lamentamos profundamente ser portadores de más notícias, mas pelo andar da carruagem, é para aí que o barco se encaminha.

Dá pra mudar de rota? Claro que dá, mas tem de querer. Não somente o Poder Executivo, mas os outros e a sociedade como um todo. Acorda, Brasil! 

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