Irmãos Batista: qual o problema da informação privilegiada?

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Os irmãos Joesley e Wesley Batista (foto) foram indiciados, na última semana, por usarem suas delações premiadas para obter ganhos no mercado financeiro.

É motivo de celebração que o crime de uso de informação privilegiada esteja sendo punido.

O mercado de capitais tem um papel importante na economia. Ele agrega informação sobre a economia. Quando o governo gasta mais do que arrecada, os juros que paga quando emite nova dívida aumentam. Quando uma firma decide torrar seus lucros comprando jatinhos para seus executivos, o preço de suas ações cai.  Por outro lado, quando uma empresa inova e lança um produto que atende às necessidades dos consumidores, o preço de suas ações sobe.

É assim que o sistema de preços dos ativos financeiros aponta para os investidores onde devem ou não investir.

Mas esse mecanismo de descoberta de preços depende de que a informação flua livre e publicamente. Se alguns agentes se beneficiam de informação privilegiada, quem comercia com eles vai perder. Por exemplo: se um grande empresário sabe que uma delação premiada vai causar pânico nos mercados e causar uma subida do dólar, ele pode lucrar comprando dólares antes que a delação seja anunciada. Quem vender dólares para ele vai sair perdendo: perderá tanto o retorno de seu investimento quanto a confiança em que o mercado pratica um preço justo (isto é, a confiança na eficiência do mercado).

Em um mercado eficiente, toda informação relevante está incorporada nos preços. Alguns investidores vão se esforçar para interpretar os números, e talvez ganhar uma pequena vantagem sobre os outros. Mas essa pequena vantagem é justa, pois é apenas a recompensa por noites mal dormidas lendo relatórios financeiros. Podemos entrar sem medo no mercado e comprar aquela ação Tabajara porque acreditamos que o vendedor não conhece segredos que o resto do mercado ignora.

Mas se o mercado é contaminado pela suspeita de que muitos participantes se beneficiam de informação privilegiada, vamos ficar com o pé atrás. Se o Plínio Cifrões quer vender a ação Tabajara, deve ser porque ele sabe de algo que o resto do mercado ignora. Não vou ser trouxa de comprar. Ninguém vai ser trouxa de comprar. O volume de negócios nas ações Tabajara vai diminuir e os preços das ações pode se desviar de seus fundamentos. Pode ser que a Cia Tabajara tenha bons fundamentos, mas como todos temos medo de fazer negócio com o Plínio Cifrões, a companhia perde valor e não consegue se financiar para expandir seus negócios.

O bom funcionamento da economia exige que os mercados de capitais não sejam um jogo em que espertalhões levam vantagem sobre trouxas. No mundo sempre haverá espertalhões. Para afastá-los do mercado, temos a lei.


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