Militares de fora da reforma da Previdência? Por quê?

É difícil largar o
osso. Essa é a mensagem que o grupo militar próximo ao presidente Jair Bolsonaro parece não medir esforços para divulgar. Nas palavras do atual comandante do Exército do Brasil, Edson Pujol: “Você aceitaria a retirada de algum direito?” - veja aqui. A reforma da Previdência, assim, torna-se um braço de ferro entre interesses rivais. Não importa se a reforma é necessária e que, sem ela, o país não tenha futuro. O que vale é a capacidade que as diferentes corporações e grupos de interesse têm de cooperar e contribuir para a solução do problema.


  A reforma da Previdência precisa ser justa. Se um grupo tentar se proteger de cortes, todos vão segui-lo. Os militares não podem, portanto, buscar tratamento diferente dos outros trabalhadores. Vão precisar aceitar benefícios menores caso se aposentem mais cedo. Já podem ir se acostumando com o fato de que a pensão para as filhas solteiras não vai voltar; vai continuar a ser apenas um exemplo de benefício excessivo e nocivo. Imagine um grupo de náufragos em um bote perdido no mar aberto, em meio a uma tempestade. Para aliviar o peso e evitar que o bote afunde, é preciso despejar ao mar  a bagagem de cada passageiro. Entretanto, um dos passageiros se recusa: “Meu álbum de fotos está na mala!”. Os outros passageiros, que num primeiro momento até estavam dispostos a se desfazer de seus pertences para sobreviver, fincam o pé: “Não posso ficar sem minhas roupas!”. Cria-se um impasse, mas, antes de cair o silêncio no bote, o carregador de malas intervém, preocupado com seu emprego: “Não é necessário jogar as malas fora, a tempestade nem é tão forte assim...”. Dessa forma, todos morrem. A realidade é dura. No cenário positivo, todos aceitam algum corte, a Previdência torna-se sustentável e a vida segue como deve ser, com nossos filhos recebendo um país melhor do que aquele que recebemos de nossos pais. Já o outro cenário é uma catástrofe. Ninguém cede, e a Previdência continua a ter déficits maiores a cada ano. Felizes então são aqueles que morrerem sem presenciar a deterioração contínua dos serviços públicos, o Estado falido delegando a segurança pública para milicianos (warlords), os países ricos levando embora o melhor de nosso capital humano, a classe média migrando em massa, e a qualidade dos políticos piorando a cada eleição, mas sempre prometendo soluções que não existem.
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