Saúde pública no Brasil, assim como educação e segurança, é uma lástima. E qual a explicação mais comum?

— Falta dinheiro! Precisamos é gastar mais!

É fato: outros países com sistemas de saúde universais (como Suécia e Reino Unido) gastam bem acima do que o Brasil. Mas isso não significa que gastamos pouco com saúde pública. E mais dinheiro provavelmente não vai melhorar muito nossa situação.

Por quê?

A comparação com os países europeus não é lá muito justa. Eles são mais ricos e têm proporção bem maior de idosos que o Brasil. Se é assim, naturalmente, vão gastar mais dinheiro em saúde pública que o Brasil – seja em gasto por habitante, seja em proporção do PIB.

Quando comparamos o Brasil com economias mais parecidas no que diz respeito à renda per capita e à fração de indivíduos com mais de 65 anos na população, notamos: nossos gastos com saúde pública não são tão baixos assim.

Em uma amostra de 174 países, o Brasil tem a 71ª maior renda per capita e 70ª maior proporção de idosos. E os gastos com saúde pública por habitante, como estamos? Na  54ª posição.

Por isso, repetimos: o problema maior da saúde no Brasil não é a falta de dinheiro. É, sim, a péssima gestão dessa grana – os chamados recursos públicos, mantidos por todos nós com o pagamento de impostos.

A verdade é que quase não há incentivos para funcionários e gestores públicos entregarem serviços de boa qualidade. Por um lado, há quase nenhuma recompensa para o servidor que se esforça em servir bem a população. Por outro, não há punições para quem realiza um trabalho ruim.

— E por que me esforçaria mais, se o meu salário não vai mudar?

Sob essa condição, assim são levados a pensar esses trabalhadores. A não ser por motivação pessoal, o incentivo é muito baixo. O resultado? Mau uso dos recursos públicos.

Aumentar os gastos em saúde não vai ajudar muito: essa dinheirama adicional não traria crescimento significativo na oferta de serviços de qualidade para a população.

Daí observamos a situação revoltante do país: temos um governo que gasta muito (com a população pagando muito imposto para isso), mas que oferece serviços públicos de baixa qualidade.

Fato ocorrido em Niterói (RJ) há poucos dias ilustra bem a questão. Cerca de 300 toneladas de medicamentos e materiais hospitalares vencidos (!!!) foram encontradas num depósito do governo fluminense.  Ou seja, o dinheiro público usado para comprar esse material foi para o lixo. E justamente no momento em que a saúde no Brasil (e, em particular, no Rio de Janeiro) passa por momento bastante complicado.

O que ouvimos da Secretaria da Saúde do Estado do Rio, questionada pela imprensa?

Surpresa, indignação, promessa de investigação, caça às bruxas e que os culpados serão punidos.

Todos nós sabemos que dificilmente alguém receberá punição. Agora, se os funcionários e gestores responsáveis pelo ocorrido fossem mandados embora, seria sinalização clara aos demais servidores de que o desperdício de recursos públicos é algo inaceitável. Teríamos um incentivo mais forte a evitar perdas como essas.

Precisamos de uma reforma administrativa para alterar radicalmente os incentivos do funcionalismo público. Especificamente, recompensas devem ser oferecidas a servidores que desempenhem bem; e quem faz um trabalho ruim deve receber sanções.

No limite, essa sanção deve ser a própria demissão do funcionário incompetente — algo muito difícil atualmente.

Recursos públicos são escassos e tendem a se tornar cada vez mais no futuro, dada a trajetória crescente de gastos públicos no Brasil. Precisamos aprender a fazer mais com a mesma quantidade de dinheiro. Ou, se possível, até com menos dinheiro.

Os dados citados nesse texto são provenientes do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde e dizem respeito ao ano de 2013


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Como assim "falta dinheiro para saúde"? Por quê?

Saúde pública no Brasil, assim como educação e segurança, é uma lástima. E qual a explicação mais comum? — Falta dinheiro! Precisamos é gastar mais! É fato: outros países com sistemas de saúde universais (como Suécia e Reino Unido) gastam bem acima do que o Brasil. Mas isso não significa que gastamos pouco com saúde pública. E mais dinheiro provavelmente não vai melhorar muito nossa situação. Por quê? A comparação com os países europeus não é lá muito justa. Eles são mais ricos e têm proporção bem maior de idosos que o Brasil. Se é assim, naturalmente, vão gastar mais dinheiro em saúde pública que o Brasil – seja em gasto por habitante, seja em proporção do PIB. Quando comparamos o Brasil com economias mais parecidas no que diz respeito à renda per capita e à fração de indivíduos com mais de 65 anos na população, notamos: nossos gastos com saúde pública não são tão baixos assim. Em uma amostra de 174 países, o Brasil tem a 71ª maior renda per capita e 70ª maior proporção de idosos. E os gastos com saúde pública por habitante, como estamos? Na  54ª posição. Por isso, repetimos: o problema maior da saúde no Brasil não é a falta de dinheiro. É, sim, a péssima gestão dessa grana – os chamados recursos públicos, mantidos por todos nós com o pagamento de impostos. A verdade é que quase não há incentivos para funcionários e gestores públicos entregarem serviços de boa qualidade. Por um lado, há quase nenhuma recompensa para o servidor que se esforça em servir bem a população. Por outro, não há punições para quem realiza um trabalho ruim. — E por que me esforçaria mais, se o meu salário não vai mudar? Sob essa condição, assim são levados a pensar esses trabalhadores. A não ser por motivação pessoal, o incentivo é muito baixo. O resultado? Mau uso dos recursos públicos. Aumentar os gastos em saúde não vai ajudar muito: essa dinheirama adicional não traria crescimento significativo na oferta de serviços de qualidade para a população. Daí observamos a situação revoltante do país: temos um governo que gasta muito (com a população pagando muito imposto para isso), mas que oferece serviços públicos de baixa qualidade. Fato ocorrido em Niterói (RJ) há poucos dias ilustra bem a questão. Cerca de 300 toneladas de medicamentos e materiais hospitalares vencidos (!!!) foram encontradas num depósito do governo fluminense.  Ou seja, o dinheiro público usado para comprar esse material foi para o lixo. E justamente no momento em que a saúde no Brasil (e, em particular, no Rio de Janeiro) passa por momento bastante complicado. O que ouvimos da Secretaria da Saúde do Estado do Rio, questionada pela imprensa? Surpresa, indignação, promessa de investigação, caça às bruxas e que os culpados serão punidos. Todos nós sabemos que dificilmente alguém receberá punição. Agora, se os funcionários e gestores responsáveis pelo ocorrido fossem mandados embora, seria sinalização clara aos demais servidores de que o desperdício de recursos públicos é algo inaceitável. Teríamos um incentivo mais forte a evitar perdas como essas. Precisamos de uma reforma administrativa para alterar radicalmente os incentivos do funcionalismo público. Especificamente, recompensas devem ser oferecidas a servidores que desempenhem bem; e quem faz um trabalho ruim deve receber sanções. No limite, essa sanção deve ser a própria demissão do funcionário incompetente — algo muito difícil atualmente. Recursos públicos são escassos e tendem a se tornar cada vez mais no futuro, dada a trajetória crescente de gastos públicos no Brasil. Precisamos aprender a fazer mais com a mesma quantidade de dinheiro. Ou, se possível, até com menos dinheiro. Os dados citados nesse texto são provenientes do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde e dizem respeito ao ano de 2013 VEJA TAMBÉM 
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