Saiba tudo sobre expectativa de vida e Previdência

Antes de tudo, o que é a expectativa de vida ao nascer?

O IBGE calcula a média (em termos mais estatísticos, a “esperança”) de quantos anos você irá viver a partir do momento em que você nasce. E a expectativa de vida ao nascer no Brasil, hoje, é de 75 anos.

Isso é essencial: ao pensar em quanto tempo vamos viver, temos que pensar em quais são as possibilidades de morrer também. Qual a chance de uma criança morrer com menos de 1 ano? E de 5 anos? E quais são as maiores causas de mortalidade entre os jovens?

Após essa reflexão, repare: conforme vamos crescendo, nossa chance agregada (tradução do economês: somada) de morrer vai diminuindo. Se passarmos dos 30 anos, a chance de sermos vítimas de violência urbana diminui consideravelmente, por atingir principalmente os mais jovens – há também questões de sexo, região, renda, etc, mas vamos supor um “brasileiro médio”, por enquanto. Então, quando consideramos a expectativa de vida dada a atual idade da pessoa, temos uma curva como a deste gráfico:

expectativa de vida 1

Como se vê, para os brasileiros que chegam aos 65 anos a expectativa de vida é de 83 anos e alguns meses – 8 anos superior que a expectativa ao nascer.

Mas a crise da Previdência tem o que a ver com isso?

Com essas informações, já podemos supor: a relação entre a Previdência Social, hoje em crise grave, e a expectativa de vida não é tão direta. Por quê? Porque, ao olharmos a expectativa de vida de alguém, temos que considerar a idade da pessoa no momento em que ela se aposenta, não quando nasce.

A expectativa de vida para homens e mulheres é a mesma?

Não. Homens, na média, morrem mais cedo que mulheres – tanto por terem menos cuidados com a saúde (maior índice de consumo de álcool ou imprudência no trânsito, por exemplo), quanto porque são mais expostos à violência urbana.

Essa relação se mantém em todas as regiões do Brasil e entre cidadãos de todas as idades. Mas voltemos aos dados: a expectativa de vida ao nascer é 7 anos maior para as mulheres; aos 65 anos, cai para 3 anos a diferença em relação aos homens.

E entre nossos estados, o que tem de diferente?

Intuitivamente, a maioria de nós apostaria que o Sul tem uma expectativa de vida maior que o Norte, por exemplo, por ter uma renda mais elevada. E a maioria de nós, assim, estaria coberta de razão.

De fato, a diferença entre a expectativa de vida ao nascer entre quem nasce no Sul e quem nasce no Norte é de 5,5 anos. Mas, novamente, usamos mal a expectativa de vida. Na prática, o que conta não é a medida ao nascer.

Este segundo gráfico destaca a expectativa de vida por região e por idade, dada a atual idade da pessoa, como no primeiro gráfico. Preste atenção neste detalhe: a diferença entre as regiões é muito grande, mas diminui à medida que ficamos mais velhos.

expectativa de vida 2
O Nordeste tem, por exemplo, 13 cidades entre as 50 mais violentas do mundo. Como já dissemos, isso atinge majoritariamente os jovens do sexo masculino. A mortalidade infantil também é alta, por diversas razões – com destaque para o fornecimento precário de água tratada e esgoto, por exemplo.

Assim, aos 65 anos, brasileiros nascidos no Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm uma expectativa de vida muito mais próxima do que tinham ao nascer. A redução é de 5,5 anos para 2,2 anos (60%).

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Nesse gráfico de barras, você vê comparadas as expectativas ao nascer e aos 65 anos. Lado a lado, estão as médias nacionais e as das 5 regiões do Brasil.

E em relação a outros países?

Nos próximos gráficos, você verá dados dos membros da Organização para Colaboração e Desenvolvimento Econômico (OCDE). É um grupo de países desenvolvidos, com alguns poucos em desenvolvimento incluídos.

No primeiro, o Brasil aparece com a terceira mais baixa expectativa de vida ao nascer. No entanto, como mostramos no segundo gráfico, considerada a esperança de vida futura aos 65 anos, ultrapassamos 7 países e surgimos na 10.ª posição, cabeça a cabeça com os Estados Unidos.
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Na maioria dos países listados, a idade mínima para aposentadoria é mais alta que 60 anos, com exceção do Chile e da Rússia. Outros, como França e Itália já passaram por reformas para alterarem sua idade mínima

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Esperamos que, depois deste texto, a questão da expectativa de vida fique mais clara. Não, não vamos trabalhar até morrer se nossa idade mínima para aposentadoria for de 65 anos; isso é uma falácia. A disparidade entre as regiões também diminui conforme a população envelhece. Mas o fato é: mais pessoas morrem, sem chegar a se aposentar, nas regiões mais pobres do Brasil.

A solução para esse problema seria direcionar a contribuição de cada pessoa para a sua família. Além de justa, essa medida poderia diminuir possíveis efeitos negativos sobre a pobreza familiar decorrente da morte de um trabalhador.

A favor ou contra a reforma, o importante é termos as informações corretas e sabermos argumentar coerentemente para defender nossos pontos de vista.

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