Passageiro é arrastado de voo da United: veja o vídeo e entenda o caso

Um vídeo revoltante viralizou e está rodando o mundo na mídia e nas redes sociais desde a última segunda-feira. Veja abaixo:

 

#flythefriendlyskies @united no words. This poor man!! pic.twitter.com/rn0rbeckwT


— Kaylyn Davis (@kaylyn_davis) 10 de abril de 2017

No domingo, um passageiro foi arrancado por policiais de um voo de United Airlines nos Estados Unidos. E ele havia pagado pela passagem. Como isso aconteceu?

Companhias aéreas no mundo inteiro recorrem à prática de overbooking, isto é, vendem mais passagens do que o número de assentos disponíveis no avião. Fazem isso porque algumas pessoas não aparecem para pegar seus voos, deixando assentos vazios. Tudo vai bem quando, de fato, o número de pessoas não excede o número de lugares disponíveis. Mas quando isso não ocorre... é preciso racionar.

Nessa situação, a companhia oferece uma compensação monetária a eventuais voluntários que abram mão de seus lugares. No caso em questão, a United chegou a oferecer US$ 800, quantia insuficiente para convencer alguém a sair do avião voluntariamente. Então recorreu a um sorteio para determinar quem não embarcaria.

O sorteado foi um médico, que argumentava que teria que atender pacientes no dia seguinte, e não estaria disposto a sair. Foi então retirado na força.

A prática de overbooking tem racionalidade econômica. Realizar um voo comercial envolve uma série de custos fixos, ou seja, que independem do número de passageiros a bordo. É necessário ter um mínimo de combustível para ir de um ponto A para outro ponto B; precisa-se pagar pelo salário dos pilotos e da tripulação; há taxas pagas para utilizar o aeroporto; etc. Quanto maior o número de pessoas em um voo, menor esse custo por cabeça.

Bom para a companhia aérea, seus lucros aumentam. Mas o consumidor também se beneficia. Parte dessa economia de custos se traduz em passagens mais baratas.

Como alguns passageiros não aparecem, se as companhias não recorressem ao overbooking (logo, se não vendessem mais passagens do que lugares disponíveis), teríamos voos com assentos sobrando com frequência.

O overbooking, dessa forma, garante uma maior ocupação média das aeronaves. Isso permite que, no agregado, os custos fixos sejam amortecidos entre um número maior de passageiros. Só que haverá situações específicas em que teremos mais pessoas aparecendo do que lugares disponíveis. É isso o que vimos no vídeo que deu origem a toda essa celeuma.

Mas é inadmissível que um passageiro, tendo pago por seu lugar, seja retirado à força do voo. Extrapola os limites da decência.

Ok, US$ 800 não foram suficientes para convencer alguém a abrir mão de seu lugar? Então que a oferta aumente até uma pessoa se apresentar.

Você pode estar pensando (em linha com o exposto acima): isso não aumentaria os custos da companhia, que seriam em parte repassados aos preços das passagens?

Provavelmente, sim. Mas é o custo de evitar barbaridades como essa.

Pense, por exemplo, que em determinado setor a produtividade do trabalho possa ser aumentada se os trabalhadores forem chicoteados. Como sociedade, estamos dispostos a tolerar essa prática, ainda que implique preços mais baixos? Obviamente, não. Abrimos mão disso para manter um mínimo de decência nas relações de trabalho.

Então que se paguem compensações mais elevadas em casos de overbooking, mesmo que isso signifique lucros menores para companhias aéreas e preços um pouco mais altos para todos os consumidores. Evitaria absurdos como o ocorrido.

Inexplicavelmente, há uma regra que limita a compensação a US$ 1.350. Isso certamente mudará no futuro. Não só internautas no mundo todo ficaram chocados. Políticos em Washington também.

***

Companhias aéreas podem fazer o que a United fez? Sim. Está escrito lá em termos e condições, que normalmente clicamos “aceitar” sem perder muito tempo para ler os detalhes. Em casos de overbooking, se não aparecerem voluntários dispostos a abrir mão de assentos, a companhia pode aleatoriamente selecionar indivíduos e impedi-los de realizar o voo.

Como ela tem esse direito, se o passageiro se recusar a sair, pode-se recorrer ao uso da força.

Imagine que isso ocorra em um restaurante. O gerente faz muito mais reservas do que mesas em uma noite. E ordena que um casal já acomodado saia para dar lugar a outras pessoas. Como eles se recusam, o gerente chama a polícia, que os retira na força. Pessoas filmam a cena com seus celulares. Horas depois, o mundo inteiro já assistiu ao ocorrido pela internet. A revolta geral faz com que ninguém mais vá àquele restaurante. Em algumas semanas declara-se a falência do estabelecimento.

Talvez essa ameaça impeça o gerente do restaurante de recorrer a essa prática. As pessoas simplesmente vão jantar noutro lugar.

No caso das companhias aéreas é mais difícil. Elas estão operando em um mundo bem menos concorrencial. Há enormes custos fixos e um aparato regulatório pesado (temos várias normas de segurança nesse setor), que dificultam a entrada de competidores.

Poucas empresas dominam o mercado. O consumidor não tem muita alternativa. Por causa disso, a pressão é menor e as empresas se sentem mais confortáveis ao cometer abusos como o de ontem.

Até agora, a United apenas se desculpou pelo overbooking. Não pela violência usada.

Mas se os consumidores não conseguem pressionar a companhia simplesmente buscando alternativas, podem pressionar os políticos a mudarem as regras para impedir que esse absurdo se repita. O pessoal em Washington também ficou horrorizado. Teremos certamente mudanças no futuro próximo.

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