A variação do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2018 foi divulgada no fim da semana passada pelo IBGE. E veio mixuruca à beça: crescimento de pouco mais de 1% no total do ano.

Isso aí, moçada, não cobre sequer o crescimento populacional. Saravá! A coisa está feia... E não dá para culpar o mundo ou a CIA, pois, como mostra o gráfico a seguir, as economias não ricas foram “muito bem, obrigado”: média de 3,4%. Não gosta de média? Falemos de mediana –o valor que divide a amostra em duas partes iguais. Dá 3,6%.



O que surpreende não é apenas que o país foi tão mal num mundo crescendo bem. Fomos muito mal a despeito também de uma política monetária bem relaxada, bem tranquila. Tampouco aumentamos impostos.

Caramba, então o que será que aconteceu?

Verdade, o país tem problemas estruturais em educação, saúde, infraestrutura, etc, mas muitos dos outros da amostra que compõe o gráfico também têm. Ademais, essas deficiências explicam porque nossa renda por habitante não decola, mas não as oscilações de crescimento de um ano para outro.

Conundrum?

Cremos que não. A explicação é provavelmente mais mundana, e se chama incerteza. Esqueça juros, pessoal. Perto da tal incerteza, uma taxa Selic dois pontos acima ou abaixo é brincadeira de criança. Juro alto (de novo, não é o caso de 2018) é uma trava; incerteza alta é paralisante. E 2018 foi o ano não só da incerteza, mas da mãe de todas as incertezas: a política. A ela associada, claro, está a incerteza sobre a política econômica vindoura. E o pior é que a incerteza não acabou com as eleições! Como não?

As primeiras movimentações da equipe econômica merecem o devido aplauso, com destaque para a reforma da Previdência, que, apesar de não ser a ideal, é bem boa: promove justiça social e garante estabilidade financeira. Mas isso não basta. O novo governo ainda não passou pelo batismo de fogo. Ele precisa mostrar que tem habilidade não apenas para propor mudanças de rumo na economia, mas também capacidade de aprová-las.

E mais, apesar da equipe econômica ter o norte correto, terá também o governo como um todo?

Lembremos que Bolsonaro votou contra tudo o que faz sentido em termos de lógica econômica quando foi deputado. Mudou mesmo, era tudo oposicionismo irracional? Ou vai correr para o desenvolvimentismo tão a gosto dos militares, se a cobra começar a fumar?

São dúvidas lícitas, caros leitores. Com a dívida pública caminhando para a altura de 100% do PIB quase que inexoravelmente, qualquer dúvida se transforma em crise de pânico. Investir num momento desses?Nem pensar. Melhor esperar.

E em 2019, o Brasil pode crescer na casa dos 3% ao ano? Opa, pode sim! Mas, para isso, tem que fazer tudo certinho. Tudo.

COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE S.PAULO

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PIB, PIBzinho

A variação do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2018 foi divulgada no fim da semana passada pelo IBGE. E veio mixuruca à beça: crescimento de pouco mais de 1% no total do ano. Isso aí, moçada, não cobre sequer o crescimento populacional. Saravá! A coisa está feia... E não dá para culpar o mundo ou a CIA, pois, como mostra o gráfico a seguir, as economias não ricas foram “muito bem, obrigado”: média de 3,4%. Não gosta de média? Falemos de mediana –o valor que divide a amostra em duas partes iguais. Dá 3,6%. O que surpreende não é apenas que o país foi tão mal num mundo crescendo bem. Fomos muito mal a despeito também de uma política monetária bem relaxada, bem tranquila. Tampouco aumentamos impostos. Caramba, então o que será que aconteceu? Verdade, o país tem problemas estruturais em educação, saúde, infraestrutura, etc, mas muitos dos outros da amostra que compõe o gráfico também têm. Ademais, essas deficiências explicam porque nossa renda por habitante não decola, mas não as oscilações de crescimento de um ano para outro. Conundrum? Cremos que não. A explicação é provavelmente mais mundana, e se chama incerteza. Esqueça juros, pessoal. Perto da tal incerteza, uma taxa Selic dois pontos acima ou abaixo é brincadeira de criança. Juro alto (de novo, não é o caso de 2018) é uma trava; incerteza alta é paralisante. E 2018 foi o ano não só da incerteza, mas da mãe de todas as incertezas: a política. A ela associada, claro, está a incerteza sobre a política econômica vindoura. E o pior é que a incerteza não acabou com as eleições! Como não? As primeiras movimentações da equipe econômica merecem o devido aplauso, com destaque para a reforma da Previdência, que, apesar de não ser a ideal, é bem boa: promove justiça social e garante estabilidade financeira. Mas isso não basta. O novo governo ainda não passou pelo batismo de fogo. Ele precisa mostrar que tem habilidade não apenas para propor mudanças de rumo na economia, mas também capacidade de aprová-las. E mais, apesar da equipe econômica ter o norte correto, terá também o governo como um todo? Lembremos que Bolsonaro votou contra tudo o que faz sentido em termos de lógica econômica quando foi deputado. Mudou mesmo, era tudo oposicionismo irracional? Ou vai correr para o desenvolvimentismo tão a gosto dos militares, se a cobra começar a fumar? São dúvidas lícitas, caros leitores. Com a dívida pública caminhando para a altura de 100% do PIB quase que inexoravelmente, qualquer dúvida se transforma em crise de pânico. Investir num momento desses?Nem pensar. Melhor esperar. E em 2019, o Brasil pode crescer na casa dos 3% ao ano? Opa, pode sim! Mas, para isso, tem que fazer tudo certinho. Tudo. COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE S.PAULO Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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