Por que a China ultrapassou o Brasil?

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Ainda me lembro dos primeiros estudantes da República Popular da China que encontrei quando iniciei meu doutorado nos Estados Unidos, em 1995. Aqueles chineses andavam mal vestidos; muitos tinham dentes estragados ou outros sinais externos de pobreza. Quando conversávamos, demonstravam não saber quase nada do mundo fora da China. Era fácil diferenciá-los dos chineses de Taiwan e da maioria dos outros asiáticos no MIT, que eram da Costa Oeste americana.

Hoje a história seria outra. Se eu voltasse para a universidade norte-americana, encontraria jovens chineses orgulhosos da riqueza conquistada pela geração de seus pais e avós. Muitos deles terão vindo de metrópoles ultramodernas como Xangai ou alguma outra cidade com cinco milhões de habitantes e arranha-céus megalomaníacos que não existia 30 anos atrás.

Pois é, a China se transformou nos últimos 20 anos — tanto que em algumas estatísticas tem passado à frente do Brasil, como no PIB per capita e por poder de compra, como mostra recente publicação do FMI.

Ainda que comparações de renda ou de poder de compra entre países seja uma ciência um tanto imperfeita, e ainda que talvez revisões dos dados mostrem que o Brasil ainda é um pouco mais rico que a China em 2017, a mensagem que fica é que nós paramos no tempo enquanto outro país muito mais pobre que o nosso cresceu rapidamente e nos alcançou, ou talvez tenha nos ultrapassado.

Mas o que aconteceu? Por que ficamos para trás?

Esta é a maior questão que precisamos responder se quisermos encontrar o rumo novamente.

Gostaria de focar na estagnação brasileira (deixo a decolagem da China para outro artigo).

Não é uma coincidência que nosso período de estagnação tenha se iniciado depois de um boom de investimento público (Transamazônica, Angra, Itaipu etc) que quebrou o Brasil durante a ditadura militar. Booms de investimento público são assim mesmo: acabam em problemas fiscais, inflação alta, crise do balanço de pagamentos...

Também não é coincidência que reduzimos ainda mais a velocidade depois da promulgação da chamada Constituição Cidadã em 1988, distribuindo direitos sem contrapartida em deveres, numa tentativa de decretar um Brasil avançado sem que tenhamos a produtividade de um país avançado.

Se eu estiver correto, a jornada vai ser árdua e devemos ser persistentes e pacientes. Pois a Constituição de 1988 ainda vigora e temos os detritos de mais um surto de estatismo para limpar. A recente reforma das leis trabalhistas é um passo à frente, assim como os anúncios recentes de privatização. Mas precisamos mais: a reforma da Previdência é crucial para que nosso Estado não quebre (como quebrou no fim do regime militar), assim como o fim dos privilégios das corporações é necessário para que tenhamos um país justo.

 
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