Por que a Grécia fechou seus bancos?

A crise grega parece não ter fim. E nos últimos dias atingiu seu ápice. O país está reconhecidamente em calote, assumiu que não honrará o pagamento da parcela de seu empréstimo junto ao FMI – vencido na terça-feira, 30 de junho. A perspectiva de saída da área do euro, portanto, é mais real do que nunca.

Os cidadãos gregos estão reagindo a isso. No fim de semana, vários deles correram aos bancos para sacar dinheiro. A possibilidade de uma repetição desse movimento, em proporções maiores, nas agências bancárias ao longo da semana fez com que o governo grego decretasse feriado bancário.

Por que a Grécia fechou seus bancos?

grecia

Para responder a essa pergunta, precisamos entender o que ocorreria numa eventual saída da Grécia da área do euro.

O país voltaria a ter moeda própria – antes do euro, era a dracma – e o banco central grego controlaria a quantidade das novas dracmas em circulação na economia. Isso não ocorre hoje. A Grécia adota o euro, cujo estoque está sob controle do Banco Central Europeu.

Quando um governo passa a ter novamente o controle de sua política monetária, ou seja, de seu dinheiro em circulação, pode fazer uso desses recursos para financiar parte de seus gastos.

Por exemplo, faltou dinheiro para gastos sociais, funcionalismo, previdência? Por que não imprimir mais dracmas para pagar por eles?

Parece tudo lindo e maravilhoso nesse cenário. Mas essa estratégia tem um problema sério: resulta em inflação mais alta.

Basicamente, as pessoas teriam mais dracmas nos bolsos e, portanto, estariam mais dispostas a gastar. Mas a capacidade produtiva da economia continuaria a mesma. A demanda subiria ao mesmo tempo que a oferta se manteria a mesma. Qual o resultado? Alta de preços.

Isso é particularmente problemático no caso da Grécia. A situação fiscal é muito complicada. É provável que a inflação grega fosse significativamente mais alta que a dos países vizinhos, da área do euro, com o país voltando a ter uma moeda própria.

Não entendeu os riscos dessa situação?

Pense em alguém que tenha depósitos em um banco na Grécia. A saída da área do euro faria com que esses depósitos fossem convertidos para dracmas, e a inflação grega mais alta derrubaria rapidamente o valor de compra desses depósitos. Logo, se a pessoa antevê esse cenário, qual a melhor coisa a fazer para evitar a perda de valor? Sacar o dinheiro, hoje em euros, antes de a Grécia passar a adotar sua nova moeda.

Nessas condições, todo mundo costuma fazer isso ao mesmo tempo – o que os economistas chamam de corrida bancária. Ocorre que os bancos não dispõem de dinheiro vivo para atender às demandas de todos os seus correntistas. Se um banco tem, digamos, 1 milhão de euros em depósitos, não significa que ele guarda 1 milhão de euros empilhados em seus cofres. Parte dessa quantia é emprestada para empresas e outras pessoas. Essa corrida bancária causaria uma quebradeira geral no sistema bancário e financeiro.

E a situação só pioraria. Ao longo do tempo, as pessoas começariam a acreditar que o dinheiro vai acabar e tentariam sacar umas antes das outras. Daí essas cenas que saíram estampadas nos sites e televisões do mundo todo, com um punhado de cidadãos desesperados nas portas das agências bancárias gregas.

A medida tomada na Grécia foi dura? Sim. Mas não havia alternativa a não ser decretar feriado bancário. Claro, isso tem um custo enorme. As pessoas precisam de dinheiro vivo para suas transações diárias.

Enfim, independente da escolha, ela precisa ser firme: ou fica ou sai de uma vez da área do euro. Talvez o caminho mais definitivo seja a saída. Caso continue no euro, sempre haverá a possibilidade de sair. E é essa possibilidade que alimenta crises como à que estamos assistindo agora.

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