Por que a Selic é usada no controle da inflação?

Quando a inflação mostra suas garras, o Banco Central (BC) tende a combatê-la aumentando a taxa básica de juros — a tal da taxa Selic. E quando a inflação cai muito, ele tende a baixar essa taxa.

A cada mês e meio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, composto pelo presidente e por oito diretores da instituição, realiza reuniões nas quais decide a Selic. Ela será reduzida, aumentada ou mantida em seu patamar atual? Se houver alteração, qual a magnitude? Essa decisão guiará a política monetária do BC, como discutiremos a seguir.

Assim como o dentista tem o mandato de curar nossa dor de dente, ou o monitor do zoológico tem o mandato de não deixar Joãozinho entrar na jaula dos leões, o presidente do BC, indicado pela Presidência e aceito pelo Senado, recebe o mandato de atingir a meta de inflação.

Para o ano de 2017, a meta era de 4,5% ao ano, com margem de erro de 1,5%. Logo, o piso para a inflação era de 3%, e o teto, 6%.

Os membros do Copom observam o comportamento da inflação no passado recente, as expectativas futuras para o ritmo dos preços e a evolução da economia nacional e internacional. Com esses dados em mãos, calculam a taxa de juros, a Selic, mais adequada para se atingir o nível de inflação desejado.

Como isso funciona, isto é, como as decisões do BC mexem na taxa de juros da economia e, na teoria, ajudam no combate à inflação?

Na verdade, o BC não controla diretamente a taxa básica de juros. Ele controla, sim, a política monetária — e isso, na prática, afeta diretamente a quantidade de dinheiro disponível na economia. E é com isso que ele altera a taxa de juros básica, a Selic, para cima ou para baixo.

E como funciona a política monetária?

Se o BC quiser aumentar a quantidade de moeda da economia, liga suas maquininhas e imprime mais dinheiro. Esse dinheiro novo é injetado no sistema financeiro por meio de um mecanismo conhecido como operação de mercado aberto: basicamente, o BC compra títulos públicos em posse dos bancos e dá o dinheiro novo em troca.

Se, ao contrário, o BC quiser reduzir a quantidade de moeda, faz o movimento inverso: vende títulos públicos para os bancos e recebe dinheiro em troca (que ele tira de circulação).

E o que é mesmo um título público?

Nada mais que uma obrigação do Tesouro Nacional usada para financiar os gastos do governo. Você compra um título público hoje por determinado valor e o governo paga esse valor com juros daqui a um ano, por exemplo. Esses juros são afetados pela política monetária.

Vejamos como isso se dá com um exemplo.

Se hoje você comprar um título ao preço de noventa reais, que promete pagar cem reais daqui a um ano, você ganhará dez reais nessa brincadeira — são os juros da transação.

Como você deve estar acostumado a ver na televisão e em sites, a taxa de juros é representada por uma porcentagem. Ela é obtida pela divisão dos juros ganhos pelo valor que você investiu. Nesse exemplo, portanto, a taxa de juros é de 11,11% (dez dividido por noventa).

E se o BC precisar diminuir a quantidade de dinheiro em circulação?

Nesse caso, como foi dito, ele tem de vender títulos aos bancos. Uma oferta mais elevada (para uma demanda que não aumenta nem diminui) significa preços mais baixos. Se há uma produção recorde de banana, por exemplo, o preço dela cai, certo? Da mesma forma, se o governo vende mais títulos, o preço do título tem que diminuir. Isso equivale a uma taxa de juros mais alta.

No exemplo acima, se o preço dos títulos cai para 88 reais, os juros pagos a quem os compra sobem para 12 reais (resultado da subtração de 88 reais de 100 reais). E a taxa de juros é, portanto, de 13,64% — 12 (juros ganhos) dividido por 88 (quanto você investiu).

Resumindo: uma política monetária restritiva implica venda de títulos públicos pelo Banco Central, o que reduz os preços dos títulos e aumenta a taxa de juros paga por eles. E isso acaba puxando para cima todas as outras taxas de juros do mercado…

Por quê?

Como os títulos públicos pagam mais agora, ninguém vai querer colocar dinheiro para render em outra coisa — no financiamento de empresas, no crédito pessoal etc. Para manter o dinheiro fluindo para essas outras atividades, elas também terão de pagar taxas de juros mais elevadas. Isso influencia, em particular, a taxa de juros pela qual os bancos emprestam e tomam emprestado entre si no chamado overnight — a taxa Selic, que o BC usa como meta em suas ações de política monetária.

E é agora que você se pergunta: “E eu com isso?”.

Tudo isso parece muito distante do nosso dia a dia, é verdade, por resultar apenas da interação entre o BC e os bancos comerciais. Mas a política monetária tem, sim, importantes repercussões em toda a economia: a decisão do bc acaba mexendo nas taxas de juros de todas as operações de empréstimos (e não só no overnight entre os bancos).

Crédito pessoal, crediário, capital de giro, crédito consignado, cartão de crédito, cheque especial… Tudo acaba ficando mais caro quando o BC adota uma política monetária restritiva, ou seja, de juros altos.

Esse processo faz com que a economia de fato fraqueje: os juros altos tornam o capital de giro mais caro para os produtores, além de desestimular investimentos e compras a prazo (por exemplo, de eletrodomésticos, veículos e imóveis); no entanto, embora contribua para reduzir a atividade econômica, segurando o crescimento da renda e do emprego, também diminui o ritmo de aumento dos preços, logo, a taxa de inflação.
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