Por que está errada a conta de Gamberini?

Rodolfo Gamberini, jornalista e apresentador do Jornal da Gazeta, resolveu dar uma bronca em todos os seus colegas jornalistas (provavelmente 99,9% deles) que noticiaram a alta do dólar como a maior dos últimos 12 anos. De acordo com o âncora, trata-se de "erro grosseiro", que o dólar "não está alto". E mais: para ele, essas afirmações são feitas "por ingenuidade, desinformação ou, até mesmo, má-fé". Enfim, veja aí o pito geral de Gamberini, na íntegra: Como se supõe de toda polêmica nos tempos atuais, o vídeo viralizou na internet. Mas a lógica de seu comentário não está tão correta assim, como "qualquer menino da escola pública sabe" – usando os mesmos termos de Gamberini. Vamos às explicações? Nossa moeda, o real, como todos sabem, perdeu valor frente ao dólar recentemente por causa da crise política e econômica. Por isso, surgem comentários como esses e dúvidas como: – O dólar está alto ou baixo?! Que ele se valorizou a gente sabe, mas “alto” e “baixo” são termos que só fazem sentido em relação a algum valor de equilíbrio, fundamental. E esse fator para a taxa de câmbio é um conceito fluido, ou seja, muda de acordo com outras variáveis econômicas. De todo modo, quando se fala do valor do dólar, as pessoas costumeiramente olham para o valor nominal dele, os quase R$ 3,40 desses dias. Mais importante, contudo, é o valor real da moeda. E como se calcula o câmbio real? Matematicamente, a continha é essa:CAMBIO CONTA Por quê? Porque, mesmo que a cotação do dólar não se altere, o poder de compra da moeda pode mudar. Com o dólar parado, se os preços externos sobem, o brasileiro perde poder de compra no exterior. Logo, nossa moeda, em termos reais, perde valor. Igualmente, quando os preços internos baixam, mesmo que a cotação da moeda também não mude, os estrangeiros podem comprar mais bens por aqui. Daí a razão de os preços multiplicarem o câmbio nominal na definição do câmbio real. Portanto, se alguém quiser afirmar o que aconteceu com o valor real da nossa moeda, não basta olhar para a cotação nominal. É preciso, sim, considerar também a inflação. Mas a inflação dos dois países! Agora, o que não se pode fazer é usar o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) para essa conta, como Gamberini fez. Primeiro, o IGP-M captura mal a dinâmica dos preços internos, sendo muito influenciado justamente pelos preços de bens transacionados no exterior. Em segundo lugar, a variável de inflação interna a ser empregada nessa conta teria de ser o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – o mais usado para avaliar a variação média dos preços dos itens mais consumidos no Brasil. + LEIA MAIS TEXTOS DESTE AUTOR  + POR QUE PAGAREMOS MAIS IMPOSTOS PELOS APOSENTADOS?  + CARTÕES PQ? VOCÊ SABE O QUE É PIB?  

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