Por que não é Natal todo dia?

Ah, minha gente, como os governantes gostam posar de benfeitores quando o assunto é economia, né? Aliás, “economia” não. Para eles o Natal parece não ter fim. De janeiro a janeiro, são tomados por alguma síndrome de Papai Noel e, em vez de pensar na economia, preferem sair por aí distribuindo presentes – tenha, ou não, o felizardo sido um bom menino.

Dão um estímulo aqui, uma desoneração ali, um incentivo acolá. Socorrem empresas, protegem indústrias, ajudam consumidores. São muito bondosos. Tudo está dando errado? Ótimo, não há o que temer. Basta uma sigla ou um nome bonitinho para inventarem um novo programa salvador que promete desenvolvimento, empregos e riqueza para todos.

Quem os ouve falar deveria concluir que só existe bonança. Mas não é o que o dia a dia da maioria das pessoas tem mostrado. Na vida real de hoje, colhemos recessão, inflação e desemprego. De cintos apertados, fazemos milagres para pagar nossas contas.

De um lado, está a pompa dos governantes, de peito estufado, e a certeza de que tudo está bem e que ficará ainda melhor. De outro, nossos ouvidos, por vezes até esperançosos, apesar de a realidade não ser tão bonita quanto pintam nossos benfeitores. Mas por quê?

A explicação não é política ou filosófica. É econômica.

Todo ato produz efeitos imediatos, mas também gera efeitos subsequentes. Os efeitos imediatos são facilmente observáveis, vêm logo depois da decisão tomada. Já os desdobramentos resultam dos impactos destas primeiras iniciativas nas demais pessoas. E, por isso, passam batido muitas vezes.

Outro economista, talvez não tão brilhante quanto eu, o francês Frédéric Bastiat, dizia lá no século 19: a economia é a ciência “do que se vê” e “do que não se vê”.

E não é que o menino Fred tinha razão?

Quando é anunciado um gasto de bilhões de reais na construção de uma refinaria de petróleo, por exemplo. Puxa vida! Logo vemos os impactos primários da decisão: empregos são mesmo gerados; fornecedores, contratados; é a economia se movimentando. E comemoramos! Mas... É o que se vê.

Os recursos usados para isso tudo saíram diretamente dos impostos pagos por cada um de nós, todos santo dia. Ou melhor dizendo, o cascalho saltou de nossos bolsos. Cada um de nós teve de abrir mão de um pedaço do orçamento familiar para tornar isso tudo possível. E a grana que vem do suor do nosso trabalho é usada pelo Papai Noel da vez como se fosse dele, bonzinho e caridoso. No final da história, é um de nós que deixa de viajar, outro que não faz um curso, que não reforma a casa... Todos nós deixamos, de um modo ou outro, de comprar qualquer coisa. As revistas que deixamos de comprar, por exemplo. Elas geram desemprego na indústria jornalística. É o que não se vê.

O político que dá com uma mão recolhe com a outra. É a regra. As consequências diretas do gasto público são logo notadas – ainda mais com o empurrãozinho dos marqueteiros políticos. Mas o esforço de financiamento, pulverizado entre nossos bolsos, não.

Amigas e amigos, o recado escrito aqui, nestes dias quentes, é simples: não podemos ser ingênuos. A economia não admite truques.

Tomem cuidado, minhas crianças, com o momento em que o político resolver trocar a fantasia de Papai Noel pela de mágico. Ele vai querer chamar a sua atenção para um lenço colorido numa mão e, certamente, na outra manga existirá uma moeda escondida. Não duvide disso. Em seguida, quando o lenço der lugar a moeda, saiba que ela não surgiu do nada. Confira seu próprio bolso. Ela pode ser sua.

Oremos? Oremos, sim. Por um bom Natal e um próspero ano-novo (2015 já não promete grandes coisas).

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