Por que o panelaço tem razões econômicas?

Perto das eleições de 2014, a aprovação (ótimo/bom) da presidente Dilma Rousseff estava nas redondezas dos 40%. Já caiu para 7%, meus amigos e amigas.

Por que tanta insatisfação?

Obviamente, a cobertura das investigações da Operação Lava Jato e a sensação de termos sido lesados em “tenebrosas transações” interferem na opinião das pessoas. Mas, até aqui, nada prova o envolvimento da presidente em qualquer um dos casos de corrupção – sejamos justos, revoltados e revoltadas deste Brasil.

A corrupção, portanto, não parece ser o principal combustível do panelaço. Sua razão é mais simples: "É a economia, estúpido!".*

panelaço

(Vale lembrar: com mensalão e tudo, não faz tanto tempo, a economia do Brasil parecia tão bem das pernas que panela nenhuma saiu dos armários para servir de pandeiro.)

Para quem achava que economia era coisa lá de Brasília, está dada a lição: o que se decide em Brasília afeta a vida de todos os brasileiros  – a minha, a sua, de todos nós, sem exceção.

Os múltiplos equívocos cometidos na condução da política econômica ao longo dos últimos quatro anos chegaram finalmente aos nossos bolsos.  A inflação está perto de 10%, como há muito tempo não se via; e os salários crescem muito mais devagar que isso. Ou seja, o poder de compra do cidadão está caindo.

Mas não é só: a paradeira tem feito o desemprego aumentar e, consequentemente, quem está trabalhando tem medo de ser demitido. A junção desses dois fatores gera extrema ansiedade nas pessoas, tenham elas, ou não, feito alguma poupança para suportar estes tempos mais sombrios. E pessoas ansiosas protestam.

O elo da confiança foi rompido, minha gente. E, apesar das tentativas do governo de reverter parte dos erros do passado, é muito difícil reatar esse nó. Sobretudo com um Congresso hostil feito esse.

Todas essas condições criam não só um clima ruim. Levam a crer que as coisas não vão melhorar tão cedo assim. Por isso boa parte dos brasileiros sacou o tamanho da encrenca e está metendo a mão na panela.

Se a barulheira deixar, oremos pelo que está por vir.

* Expressão clássica do estrategista de Bill Clinton, James Carville, na corrida presidencial americana contra George Bush (o pai), em 1992.

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