Por que os aposentados quase "perderam dinheiro" em 2015?

Originalmente, publicado em 14 de agosto. Atualizado às 9h20 de 19 de agosto; e às 17h15 de 22 de agosto

Agora é oficial: o governo federal voltou atrás. A Fazenda já mandou dizer que deu seu jeito. O ano de 2015 não entrou para a história como aquele em que não foi antecipada parte do 13.º salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - ao contrário da informação circulada na imprensa por quase uma semana.

A prática de adiantar a quantia não é obrigatória por lei. Adotada desde 2006, repete-se mais uma vez.

Você pode estar pensando: "Ah, tudo bem... Se o beneficiário não recebesse agora, sem problemas, daqui uns meses o dinheiro ia pingar lá e ficaria tudo no zero a zero".

Só que não. Na verdade, 500 reais hoje são bem diferentes de 500 reais no futuro.

Por quê?

No jargão dos economistas, porque a taxa de juros é positiva. O que isso significa? Que é sempre melhor ter o dinheiro agora do que depois.

aposentados e pensionistas

Explico melhor: suponha duas opções, receber 500 reais agora ou em seis meses. Se o dinheiro cair na sua conta hoje (e se você não precisar dele), pode jogar tudo para a poupança e receber juros (hoje, na casa dos 7% ao ano, mais ou menos). Quando, daqui seis meses, sacar o dinheiro, terá de volta mais de 500 reais: serão 500 mangos mais os juros acumulados sobre eles no período.

Claramente essa é melhor do que a segunda opção, em que você recebe 500 reais apenas no final do ano.

A vantagem do dinheiro na mão é ainda maior se você necessita dele, por exemplo, por suas contas estarem vencendo. Quando você fica à espera, pode ser forçado a pegar alguma quantia emprestada para honrar compromissos. E aí você morre com uma pilha de juros para pagar no banco.

Vale destacar: o custo dessa operação é bem mais alto por aqui que no resto do mundo.

Por quê?

Porque, no Brasil, os juros que você paga quando pede empréstimos são superiores aos rendimentos de quando empresta ao banco. Pense só nos juros do cheque especial, do cartão de crédito ou do crédito consignado (aquele descontado no holerite, em geral mais barato). São muito, mas muito e muito mais elevados que os juros pagos de volta por uma aplicação financeira qualquer.

Mas, chegando nos finalmentes e retomando nossas letras iniciais, qual era mesmo o motivo alegado da tal lenda, que resultou neste palavreado todo? Era falta de caixa. Em português mais do que claro: não tinha dinheiro, bufunfa, grana ou cascalho suficiente nos cofres públicos para pagar o adiantamento em 2015. Mas depois de uns dias, tudo mudou e todos foram "felizes para sempre".

Resumindo ainda mais esta pequena opereta: hoje dormem um pouco mais aliviados aposentados e pensionistasque não vão perder o mirrado dinheiro de parte do 13º salário com que contavam.

Fica só um mistério no ar (para quem quiser se aventurar no ramo de detetive, um achado): antes não tinha, agora tem dinheiro. Vai entender...

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