Por que pagaremos a conta do rebaixamento?

Aconteceu. Já era esperado, mas dói ver nossos medos confirmados.

Parodiando Renato Russo: “É preciso gastar... como se não houvesse amanhã... porque se você parar para pensar... na verdade não há...”. Assim cantou o governo no passado, amigas e amigos.

Ainda temos o amanhã, mas o “grau de investimento” já era. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) classifica o Brasil agora como “grau especulativo”.

Em resumo: fomos rebaixados para a segunda divisão da economia mundial.

E daí?

Como o rebaixamento já era esperado (pense no time do Vasco da Gama), seu efeito sobre a Bolsa e a cotação do dólar já foi em parte incorporado. Ou seja, a subida do dólar nas últimas semanas é, em parte, explicada pela antecipação do rebaixamento.

A Bolsa deve continuar caindo e o dólar subindo um pouco mais, pessoal. Mas menos do que já se moveram nas últimas semanas.

E por que o rebaixamento é ruim, então?

A nota de crédito de um país afeta a percepção de risco de crédito não somente de seu governo como também de suas empresas. Tem impacto direto sobre companhias com acesso ao crédito externo (por exemplo, a indústria de petróleo). Firmas brasileiras terão de pagar mais caro quando tomarem fora do país.

Mas há também um impacto indireto via sistema financeiro.

Muitos bancos, principalmente pequenos e médios, sem estrutura de captação de depósitos, dependem de empréstimos obtidos no exterior. De agora em diante, terão que pagar mais caro por seus recursos, gente amiga. E este custo será repassado a seus tomadores de empréstimo, que vão consumir ou investir menos.

Aviso: daqui em diante, com menos consumo e investimento, a economia vai ficar ainda mais fraca, empresas vão demitir e trabalhadores ficarão com medo. Em outras palavras, enquanto estávamos embriagados, bambeando na beira da escada, só faltava o empurrão. E nos empurraram. E lá vamos nós!

E aqui mora o perigo. A crise pode nos levar a adotar soluções para nossos problemas. Mas também pode forçar erros ainda maiores. Por exemplo? Dobrando a aposta nas políticas erradas que nos meteram na crise (descuido da inflação e das contas públicas, modelo de capitalismo estatista, economia fechada etc).

Enfim.

Sabe quando encerro minhas mal versadas letrinhas com um pedido de oração?

Hoje nem preciso pedir.

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