Qual a relação entre inflação e crescimento da economia?

Qual a relação entre inflação e crescimento da economia?

Essa pergunta é mais difícil do que parece à primeira vista, e a resposta, nuançada. Isso porque nos prazos que usualmente utilizamos quando olhamos para os dados, a aceleração (ou desaceleração) da atividade econômica pode vir tanto de avanços na capacidade de produzir, pelo lado da oferta, como de repiques da demanda. Para prazos mais longos, a coisa é bem menos problemática: ao longo de décadas, crescimento e inflação não tem nada que ver um com o outro. O primeiro provém de avanços no uso dos fatores de produção, e a segunda tem a ver com quão bem o governo gerencia sua política monetária.

Nas últimas três décadas, o que mudou consideravelmente foi a qualidade na elaboração da política monetária. O movimento começa no fim dos anos 1970 no mundo desenvolvido, e chega aos países não ricos cerca de 15 anos depois. Resumindo uma história longa, lá atrás os governos ainda criam na capacidade de impulsionar o crescimento de uma economia via política monetária expansionista (juros “artificialmente” baixos). Hoje sabemos que isso só é solução para situações de recessão econômica, um remédio cíclico, não perene, para crescimento anêmico. E essa melhora veio também, principalmente no caso de economias não-ricas, acompanhada de uma política fiscal menos irresponsável.

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Como resultado dessas melhoras institucionais, a inflação caiu.

A queda espetacular da inflação mundial, contudo, não foi acompanhada de movimentos relevantes no crescimento mundial, como mostra o gráfico a seguir:

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Pelo contrário, o crescimento mundial se elevou modestamente nos últimos 20 anos, passando da casa dos 3.2% para algo próximo a 4%. Crescimento e inflação: nada a ver quando a escala do tempo é medida em decênios[1].

No grupo dos países ricos, o crescimento de fato arrefeceu. Mas isso se deve muito provavelmente ao fato de que à medida que se atinge um nível de renda elevado, crescer é se torna cada vez mais difícil (passar a usar máquinas de qualidade na empresa é relativamente fácil; inventar máquinas de qualidade melhor ainda é bem mais dificil).

Entendido esse ponto geral, o que está acontecendo nos últimos anos (ou seja, no domínio mais do curto prazo)? O que é, ou parece ser, específico a esse episódio?

Algumas pessoas têm chamado a atenção para o fato de que as economias mais atingidas pela crise começam a se recuperar de modo consistente, mas a inflação segue bem mansa por lá. Isso a muitos parece surpreendente, mas a verdade é que não é. Para entender porque vejam o outro lado dessa história andando um pouquinho mais para trás no tempo. Como mostra o gráfico de linhas a seguir, que usa uma média bi-anual, o crescimento econômico no pós-crise despencou, mas a inflação caiu apenas uma migalha.

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O que explica isso? A hipótese mais plausível é a mesma! Governos praticando políticas fiscal e monetária de melhor qualidade !

Na recessão, as firmas tendem a reduzir um pouco a velocidade de reajuste de seus preços. Mas se elas esperam que o Banco Central vá lutar contra a recessão, e que isso mais à frente resultará numa economia mais forte, talvez sequer valha mexer nos planos de quanto reajustar os preços hoje. Como mostra o gráfico, a economia cai muito mas a inflação quase não se mexe. O mesmo vale na direção contrária: se eu sei que o Banco Central não permitirá um aquecimento excessivo da economia, eu não vou acelerar o tamanho dos reajustes só porque agora estamos passando por um momento de maior aquecimento dos mercados. Num ambiente de política monetária eficaz, eu entendo que esse momento de pujança acima do natural será passageiro.

Vejam só no que isso resulta: a inflação fica menos sensível aos ciclos econômicos. Como gostam de dizer os economistas, ela fica ancorada. Não é sinal de que a política monetária está falhando, mais juste le contraire !

¹ Na verdade, a relação até existe para taxas de inflação muito altas. Mas ela é invertida! Muita inflação causa tanta confusão que o crescimento sofre.

 

 
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