Quem vai pagar o muro de Trump?

Donald Trump pretende construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México. Quer que os mexicanos paguem pela construção. Diante da recusa dos vizinhos do Sul, o governo americano chegou a ameaçá-los com uma tarifa de importação de 20% sobre todos os produtos vindos de lá e vendidos nos Estados Unidos. A receita dessa tarifa serviria para financiar a construção do muro.

Afinal, os mexicanos estariam pagando pelo muro, por meio de impostos sobre a exportação de seus produtos para os Estados Unidos?

A imagem abaixo está circulando na internet e desafia esse raciocínio.

imagem trump
Traduzindo:
1. José vende um abacate para John por $ 5.
2. Donald impõe uma tarifa de 20% sobre a importação de produtos mexicanos, para que “o México pague pelo muro”
3. Agora José vende o abacate a John por $ 5 + 20% = $ 6
4. Os Estados Unidos cobram $ 1 de imposto de José
5. José continua ganhando $ 5
6. Quem pagou pelo muro?

Seguindo o raciocínio acima, José, o exportador mexicano de abacates, receberia os mesmos $ 5 que antes. A arrecadação de impostos (no caso, $ 1) viria toda de John, o consumidor americano. Em outras palavras, a construção do muro seria paga exclusivamente pelos consumidores americanos, por meio dos preços mais elevados dos produtos vindos do México.

Essa lógica também tem seus furos. Por quê? Porque os Estados Unidos são uma economia gigantesca, especialmente na comparação com o México. E a reação dos consumidores americanos é capaz de mexer com os preços vigentes ao sul da fronteira.

Especificamente, a tarifa aumenta os preços do abacate nos Estados Unidos, fazendo com que os consumidores americanos queiram menos guacamole. E não é só John que reage; Mary, Leah, Luke, Han ..., milhões de outros consumidores mudam seu comportamento, reduzindo a demanda de abacate. Como os Estados Unidos são uma economia grande, essa reação conjunta de consumidores é capaz de empurrar para baixo o preço do abacate no México.

Note: o preço do abacate cai no México, mas sobe nos Estados Unidos como consequência da tarifa. Isso implica que o custo do muro é, na verdade, dividido entre consumidores americanos e produtores mexicanos.

Para ver isso, suponha hipoteticamente que a tarifa faça com que o preço do abacate no México caia para $ 4,50. Nos Estados Unidos, o preço passaria a ser $ 4,50 + 20% = $ 5,40. Nesse exemplo, para cada abacate importado o governo americano arrecadaria $ 5,40 - $ 4,50 = $ 0,90. Desse montante, $ 0,40 viriam dos consumidores americanos (já que o preço nos Estados Unidos aumentou de $ 5 para $ 5,40), enquanto $ 0,50 viriam dos produtores mexicanos (já que o preço no México caiu de $ 5 para $ 4,50).

Esse exemplo serve apenas para ilustrar o efeito. Para ter uma ideia do tamanho do efeito sobre os preços (e quanto cada parte pagaria do muro), teríamos de estimar quanto a demanda dos Estados Unidos reagiria aos preços mais altos. A mensagem principal deste texto é: nem tanto ao céu, nem tanto a terra. A construção do muro, se financiada por imposto sobre a importação de produtos mexicanos, seria paga em parte por consumidores americanos e em parte por produtores mexicanos.

Na verdade, os trabalhadores mexicanos também perderiam com essa política, já que empresários venderiam menos (especialmente no setor exportador) e teriam de reduzir sua produção. Isso implicaria menor demanda de trabalho, menos empregos e salários mais baixos no México.

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