37396567_mreforma da Previdência saiu de férias por tempo indeterminado. O governo jogou a toalha, admitindo que não tem os votos para aprová-la.

E daí? Daí que teremos pelo menos mais um ano de situação fiscal se deteriorando, o que nos garante uma reforma mais dura ou a falência mais à frente.

Parecemos disco arranhado (os mais velhos vão entender a comparação), mas repetimos mesmo assim: se o Brasil não reduzir substancialmente seu gasto com aposentadorias e pensões, vamos acabar todos como o estado do Rio de Janeiro, sem dinheiro para pagar por serviços prioritários e atrasando pagamentos e salários.

Ainda pior: o estado do Rio de Janeiro pode ter a esperança de ser socorrido pelo governo federal, enquanto o Brasil é grande demais para ser socorrido pelo resto do mundo. A Venezuela com seus refugiados famintos ou a ultraviolência de Honduras (já observada em algumas capitais do Nordeste, como Fortaleza e Natal) não são abstrações, mas um futuro possível que só será evitado se agirmos.

Mas nada disso importa para nossos congressistas. O objetivo principal é a reeleição, ainda mais para os muitos que dependem do foro privilegiado para escapar de férias compulsórias na Papuda. Evitar votar temas polêmicos reduz os riscos.

O resultado foi imediato: logo após o anúncio de que a reforma não sairia, a agência de rating Fitch abaixou nossa nota mais uma vez. Os efeitos não são sentidos automaticamente, mas nossa economia torna-se mais vulnerável se as taxas de juros subirem no resto do mundo.

Nossa incapacidade de resolver esse grande problema fiscal é cada dia mais transparente. Estamos empurrando a reforma com a barriga, agora para depois das eleições. Por isso, mais do que nunca, dependemos dos resultados da eleição vindoura.

Não basta eleger um presidente que entenda de aritmética e valorize o futuro do país; precisamos também de um Congresso eleito que tenha o senso de urgência para entregar as reformas necessárias e a consciência tranquila para peitar as corporações sem medo de represálias de categorias poderosas encasteladas em privilégios.

Publicado originalmente na Coluna do Por Quê? na Folha

 

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A reforma da Previdência saiu de férias

37396567_mreforma da Previdência saiu de férias por tempo indeterminado. O governo jogou a toalha, admitindo que não tem os votos para aprová-la. E daí? Daí que teremos pelo menos mais um ano de situação fiscal se deteriorando, o que nos garante uma reforma mais dura ou a falência mais à frente. Parecemos disco arranhado (os mais velhos vão entender a comparação), mas repetimos mesmo assim: se o Brasil não reduzir substancialmente seu gasto com aposentadorias e pensões, vamos acabar todos como o estado do Rio de Janeiro, sem dinheiro para pagar por serviços prioritários e atrasando pagamentos e salários. Ainda pior: o estado do Rio de Janeiro pode ter a esperança de ser socorrido pelo governo federal, enquanto o Brasil é grande demais para ser socorrido pelo resto do mundo. A Venezuela com seus refugiados famintos ou a ultraviolência de Honduras (já observada em algumas capitais do Nordeste, como Fortaleza e Natal) não são abstrações, mas um futuro possível que só será evitado se agirmos. Mas nada disso importa para nossos congressistas. O objetivo principal é a reeleição, ainda mais para os muitos que dependem do foro privilegiado para escapar de férias compulsórias na Papuda. Evitar votar temas polêmicos reduz os riscos. O resultado foi imediato: logo após o anúncio de que a reforma não sairia, a agência de rating Fitch abaixou nossa nota mais uma vez. Os efeitos não são sentidos automaticamente, mas nossa economia torna-se mais vulnerável se as taxas de juros subirem no resto do mundo. Nossa incapacidade de resolver esse grande problema fiscal é cada dia mais transparente. Estamos empurrando a reforma com a barriga, agora para depois das eleições. Por isso, mais do que nunca, dependemos dos resultados da eleição vindoura. Não basta eleger um presidente que entenda de aritmética e valorize o futuro do país; precisamos também de um Congresso eleito que tenha o senso de urgência para entregar as reformas necessárias e a consciência tranquila para peitar as corporações sem medo de represálias de categorias poderosas encasteladas em privilégios. Publicado originalmente na Coluna do Por Quê? na Folha   Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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