Se os mais pobres morrem antes, precisam de regras especiais de Previdência?

    No debate sobre a reforma da Previdência, obviamente, a estimativa relevante é da sobrevida após atingir os 65 anos de idade – limite mínimo proposto pelo governo. Ou seja, importa saber quantos anos o sujeito vive a partir da aposentadoria. Essa sobrevida no Brasil, ao contrário do que dizem por aí, não é tão baixa: vive-se, em média, mais 18 anos quando se chega aos 65. Logo, a estimativa de vida para quem essa população de idosos é de 83 anos. expectativa de vida previdência aposentadoria Após interagir com nossos leitores, no entanto, não parece ser esse o ponto de discórdia, mas o que vem a seguir. Pense num mundo de cidadãos maltratados e de cidadãos bem-tratados. Suponha que todos contribuam para o pote da Previdência e que a idade mínima seja 65 anos para ambos. Entre bem-tratados, 90% chegam aos 65 anos. Dos maltratados, apenas 10%. Um cidadão do grupo dos maltratados contribui para Previdência desde os 20 anos de idade. No entanto, tem chances baixas de usufruir dessa grana, já que apenas 10 a cada 100 pessoas desse grupo alcançam a idade necessária. E o mesmo vale para os 10% do grupo dos bem-tratados, já que morrem antes de 65 anos. Sob o véu da ignorância, um sistema assim é ok. O sortudo que vive até os 85 anos recebe uma forcinha de quem morre antes. Mas essa transferência pós-morte deixa de ser ok sem o véu da ignorância. Ora, quem nasce no grupo dos maltratados tem maior probabilidade de morrer antes dos 65, certo? Logo, o cara que sabe disso e faz parte desse grupo contribui para a Previdência sabendo que a probabilidade joga contra ele. O que isso implica? Que precisamos ter a complicação das idades diferentes para aposentadoria, levando em conta sempre essas estatísticas? Creio que não. Programar um sistema com tantas peculiaridades parece impossível. Qual a solução então? Entendemos que seja mais razoável – e viável – devolver a poupança do falecido para a sua família.      

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