Temer, por que tantos recuos?



O governo Temer acumula uma série de recuos. Começou pela extinção do Ministério da Cultura, quando dava seus primeiros passos, ainda interino, após o afastamento da então presidente Dilma. Os artistas chiaram, ocuparam prédios públicos e, alguns dias depois, o governo capitulou.

Outros casos semelhantes aconteceram. Brinca-se, inclusive, que o governo cogitou a criação do Ministério do Recuo – mas que teria recuado frente a pressões de alguns descontentes.

Tantos recuos poderiam ser frutos da interinidade do governo, com a possibilidade da volta de Dilma no radar. Só que não. Mesmo agora, com o impeachment sacramentado, a história continua a se repetir.

Qual o último recuo do governo?

O ministro do Trabalho comentou na última semana, em reunião com centrais sindicais, que o governo proporia uma flexibilização na jornada de trabalho para que jornadas de até 12 horas diárias fosse legalizadas – mas sem alterar o máximo de 48 horas semanais, já contando horas extras. E, como você já sabe, a história pegou fogo nas redes sociais, na imprensa, foi parar nas capas de jornais no dia seguinte. E o que aconteceu? Por orientação do presidente, o ministro voltou atrás.

São sinais preocupantes.

O país está mergulhado numa crise fiscal profunda, o que contribui para nos jogar numa das piores recessões da história. Medidas de ajuste não somente de curto prazo, mas também de longo prazo, são necessárias para evitar um desastre maior.  O que alguns estados já estão passando, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, pode se alastrar para o governo federal se nada for feito.

Atrasos no salário de funcionários públicos e de serviços contratados de terceiros pelo governo federal podem se tornar frequentes. Assim, a possibilidade de recorrermos à impressão de dinheiro para pagar as contas não pode ser descartada. Traria de volta o fantasma da inflação alta que tanto custamos para derrotar.

O ajuste necessário inclui limitar o crescimento dos gastos públicos a algum teto e botar adiante a reforma da Previdência. São medidas indispensáveis, mas haverá gente que perderá com elas. E essas pessoas não pensarão duas vezes antes de pressionar o governo.

Se este governo não tem estômago para aguentar nem protestos da classe artística tampouco a ira das redes sociais, aguentará a pressão, bem mais forte, de grupos de interesse contrários a mudanças nas regras de aposentadoria?

Esses recuos em série sinalizam aos grupos de interesse: este governo não tem muito pulso, basta chiar bastante que as suas demandas serão atendidas. E isso dá ainda mais incentivo aos diversos grupos a pressionarem ainda mais o governo.

Talvez o governo Temer esteja apenas escolhendo quais brigas comprar. Quem sabe esteja cedendo em coisas não tão importantes do ponto de vista das finanças públicas, como ter ou não um Ministério da Cultura, para focar no essencial. Mas, com tantos recuos, é difícil não ficar pessimista.

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