Tique-taque, tique-taque...

Estamos sentados, todos nós brasileiros, numa bomba-relógio de dívida governamental com alta capacidade destrutiva. Quando você assusta o leitor assim com uma frase de efeito, a primeira coisa que lhe vem à cabeça é: ainda dá para desarmá-la? Dá. Mas tem que ser agora. E não há espaço para erro, não se pode cortar o fio errado. 

O coronavírus complicou a vida de todo mundo. A arrecadação de impostos desabou junto com a economia; gastos com saúde, seguro-desemprego, transferências extraordinárias, todos cresceram enormemente, aqui e alhures. Onde então se encontra a famigerada jabuticaba, de produção espontânea e exclusiva em Terra Brasilis?

O Brasil entrou na crise numa situação fiscal pior, com maior endividamento. O paralelo é com uma prova-surpresa difícil, com o país no papel do aluno que não vinha prestando atenção na aula. 

Alguns analistas discordam de que estejamos em situação periclitante. Seu argumento: o juro está baixinho, e isso torna a dinâmica da dívida algo gerenciável.

Nonada! O juro não vai ficar nesse patamar aí para sempre e já, já volta a se elevar. O nível excepcionalmente baixo é fruto de uma recessão brutal que não estará conosco para sempre (ainda bem!). E mais: a percepção de risco está piorando, e mais risco significa maiores taxas de juros, que levam a uma dívida que cresce mais rápido, que retroalimenta o risco, que...

Bom, você já viu onde isso vai dar. O empresário, para investir, precisa ter certa segurança no horizonte de planejamento, riscos controláveis. Um cenário de dívida alta e crescente é o oposto disso. Com menos investimento temos menos crescimento, e a razão dívida-PIB piora ainda mais, via denominador. Que temos uma bomba armada, não duvide. Só não sabemos quando ela estourará, e se será pelo calote ou pela inflação. 

Só escaparemos da explosão se o Congresso e o Executivo enviarem hoje mesmo o esquadrão antibomba, com as seguintes propostas:

1. Congelamento dos salários nominais do funcionalismo público por cerca de 5 anos.
2. Congelamento das contratações para o setor público por pelo menos 5 anos.
3. Não reedição da ajuda emergencial de 600,00 (que foi necessária, mas não pode ser perenizada nesse formato).
4. Venda de ativos públicos (estatais e também edifícios, prédios, casas e casebres).
5. Manutenção da disciplina fiscal geral pela imperfeita, mas necessária, Lei do Teto de Gastos.
6. Algum aumento de imposto temporário (difícil escapar dessa…).
Ou fazemos algo bem parecido com isso ou vai dar chabu. A bomba é real: tique-taque, tique-taque...

COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE SÃO PAULO

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