Uma catástrofe natural justifica o congelamento de preços?

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A tempestade tropical Harvey foi impiedosa na sua passagem pelo Texas: Houston está sob água, milhares de pessoas perderam casa, bens, carros, e tiveram suas vidas viradas de ponta-cabeça — até os abrigos públicos foram inundados! Caos e sofrimento. E pode não ter acabado ainda: o fenômeno migra para a Louisiana, vítima do Katrina há mais de 10 anos. De todo modo, mesmo que a tempestade perca o fôlego, serão necessários meses para as coisas começarem a voltar ao normal. Muito triste.

A destruição, claro, gera escassez de um montão de coisas: falta de tudo, desde água até combustível. E com a oferta assim interrompida, os preços tendem a saltar vigorosamente. Há relatos, por exemplo, de posto de gasolina vendendo combustível 200% mais caro que o preço prevalecente antes da catástrofe. É natural que as pessoas se sintam traídas, “ofendidas e humilhadas” pelos comerciantes “que querem extrair o máximo” em situações extremas desse tipo.  “A busca pelo lucro tem limites!”, diriam alguns.

De fato, esse é o entendimento da sociedade: há limites que não deveriam ser ultrapassados em situações de caos social. Tanto é assim que vários estados norte-americanos possuem leis contra esse tipo de “exploração” (price-gouging, em inglês). Na Louisiana, o sujeito pode pegar até 20 anos de cadeia se for pego praticando preços astronômicos em épocas de furacão.

Faz sentido tão contundente condenação moral (e legal)?

Claro que nosso senso de justiça sai machucado quando os preços de bens básicos disparam durante catástrofes naturais. Mas o que poucos veem é que há, sim, algo de positivo nesse movimento.

É muito custoso fazer chegar água, combustível e tantas outras coisas até os locais afetados, dado que tudo está alagado. Custos mais altos, menor oferta. Essa escassez pode, porém, ser mitigada se os preços puderem subir aos condenáveis patamares exorbitantes. A lógica é direta: por um valor suficientemente alto, que cubra os custos mais elevados de entregar bens na região, alguns empresários vão encarar o desafio de manter algum fluxo de oferta de bens e serviços para a área afetada. Já se o governo proíbe a alta dos preços, esse incentivo se esvanece —  e menos água, menos comida, menos combustível chegarão aos que necessitam. Mas, valendo a lei, os que conseguirem acesso a esses itens  —  agora ainda mais escassos pela proibição de elevar preços — vão de fato desembolsar menos.

Veja então o leitor o dilema moral: ter menor fornecimento de itens, mas a preços razoáveis, ou ter maior fornecimento, mas a preços exuberantes?

Não é tão simples determinar se a lei que proíbe preços exorbitantes durante catástrofes naturais é injusta. O que sabemos é que ela é ineficiente sob este ponto de vista: previne uma reação mais robusta da oferta justamente quando tudo está em falta.

 

 
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