O Banco Central divulgou, no final do mês passado, a edição relativa a 2018 de um relatório[1] que descreve, entre outras coisas, como as pessoas vêm usando o crédito. Nesse relatório, o mau uso do cheque especial por muita gente chama a atenção.

O BC define como “usuário” do cheque especial uma pessoa cuja conta corrente está no negativo no último dia útil do mês. Em 2018, 16 milhões de pessoas por mês, em média,  usaram o cheque especial de acordo com esse critério. Em geral, essas são pessoas que gastam mais do que ganham e acabam fechando o mês no vermelho.

Quase 4 milhões de pessoas usaram o cheque especial todos os meses. Isso mesmo, todos os meses do ano. No começo do mês, a pessoa recebe o salário e sai do vermelho. Os gastos do dia a dia vão  ocorrendo e, antes do mês terminar, a conta corrente volta para o negativo. Essa é a rotina.

Uma pessoa que, em todo o final de mês, toma dinheiro emprestado do banco no cheque especial está a caminho do precipício. E sem perceber. Durante um bom tempo, a pessoa vai achando que as coisas estão sob controle. No fim do mês, a conta está no vermelho, o que é meio chato.  Mas aí um mês novo começa,  o salário cai, o vermelho vira azul e tudo parece estar bem novamente.

O problema é que a dinâmica dos juros sobre juros é cruel. Os juros do cheque especial são de aproximadamente 13% ao mês. Com os juros nesse nível, essa dinâmica mensal do “entra no vermelho, sai do vermelho” fica mais ou menos estável durante uns 4 anos. Até que, de repente, a coisa explode. A pessoa começa a entrar no vermelho cada vez mais cedo. A partir do 5o ano, o salário já não é mais suficiente para fazer a conta ficar no azul.  De repente, não mais que de repente, o que parecia sob controle vira caos.

Se você é uma dessas 4 milhões de pessoas que todo o final de mês entra no cheque especial, pare tudo e procure ajuda. Corte gastos, aumente a receita, venda o carro, faça alguma coisa. Faça qualquer coisa. Só não continue assim. Embora tudo pareça sob controle ,  você está rumando para o abismo. O desastre para o viciado no cheque especial virá com 100% de certeza.

[1] https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/relatorioeconomiabancaria/reb_2018.pdf

COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE SÃO PAULO

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Viciados do cheque especial

O Banco Central divulgou, no final do mês passado, a edição relativa a 2018 de um relatório[1] que descreve, entre outras coisas, como as pessoas vêm usando o crédito. Nesse relatório, o mau uso do cheque especial por muita gente chama a atenção. O BC define como “usuário” do cheque especial uma pessoa cuja conta corrente está no negativo no último dia útil do mês. Em 2018, 16 milhões de pessoas por mês, em média,  usaram o cheque especial de acordo com esse critério. Em geral, essas são pessoas que gastam mais do que ganham e acabam fechando o mês no vermelho. Quase 4 milhões de pessoas usaram o cheque especial todos os meses. Isso mesmo, todos os meses do ano. No começo do mês, a pessoa recebe o salário e sai do vermelho. Os gastos do dia a dia vão  ocorrendo e, antes do mês terminar, a conta corrente volta para o negativo. Essa é a rotina. Uma pessoa que, em todo o final de mês, toma dinheiro emprestado do banco no cheque especial está a caminho do precipício. E sem perceber. Durante um bom tempo, a pessoa vai achando que as coisas estão sob controle. No fim do mês, a conta está no vermelho, o que é meio chato.  Mas aí um mês novo começa,  o salário cai, o vermelho vira azul e tudo parece estar bem novamente. O problema é que a dinâmica dos juros sobre juros é cruel. Os juros do cheque especial são de aproximadamente 13% ao mês. Com os juros nesse nível, essa dinâmica mensal do “entra no vermelho, sai do vermelho” fica mais ou menos estável durante uns 4 anos. Até que, de repente, a coisa explode. A pessoa começa a entrar no vermelho cada vez mais cedo. A partir do 5o ano, o salário já não é mais suficiente para fazer a conta ficar no azul.  De repente, não mais que de repente, o que parecia sob controle vira caos. Se você é uma dessas 4 milhões de pessoas que todo o final de mês entra no cheque especial, pare tudo e procure ajuda. Corte gastos, aumente a receita, venda o carro, faça alguma coisa. Faça qualquer coisa. Só não continue assim. Embora tudo pareça sob controle ,  você está rumando para o abismo. O desastre para o viciado no cheque especial virá com 100% de certeza. [1] https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/relatorioeconomiabancaria/reb_2018.pdf COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE SÃO PAULO Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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