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A recuperação da economia brasileira segue. Como vai a passos de tartaruga, deve seguir ainda por muito tempo. Entre os primeiros trimestres de 2017 e 2018, a taxa de desemprego caiu de 13,7% para 13,1%, uma toada de 0,6% ao ano.

Mantido esse ritmo, precisaremos de quase uma década para alcançar a taxa de desemprego anterior à recessão iniciada em 2014.

São quase 14 milhões os brasileiros desempregados. Eles pagam um custo altíssimo pelas escolhas feitas durante a última década.

Quando a maré estava favorável, gastamos demais; aumentamos os salários dos servidores públicos federais e postergamos a solução para a Previdência, responsável por boa parte do rombo nas contas públicas. Tomamos também decisões de investimento indefensáveis, como a refinaria Abreu e Lima, que foi considerada, em estudos da própria Petrobras, inviável mesmo em hipóteses mais otimistas.

Quando a maré virou, ficamos com a conta dos direitos adquiridos dos aposentados, as refinarias inacabadas e elefantes brancos como o estádio Mané Garrincha, em Brasília, ou a Arena Pantanal, em Cuiabá.

Já os empregos, estes foram embora...

Para evitar crises futuras e agir para uma recuperação mais rápida, precisamos entender de quem é a culpa.

Nosso setor de infraestrutura foi destruído quando suas práticas corruptas foram expostas pela Lava Jato. A culpa não é apenas dos executivos de empreiteiras que pagaram propinas, mas também dos políticos que as receberam e daqueles que não exerceram a prerrogativa de questionar a atuação do governo no poder. A atuação do Conselho de Administração da Petrobras também é de envergonhar. Se o Conselho da Petrobras exercesse suas obrigações, o saque ao patrimônio público teria sido muito menor.

Nossos bancos não conseguem ou não querem emprestar a juros mais baratos. Medidas como o Cadastro Positivo, que facilitam a entrada de capital novo no setor de crédito e, muito provavelmente, levariam a uma redução de juros cobrados dos bons tomadores de empréstimos, são bloqueadas por políticos oportunistas e grupos de pressão pouco dispostos a largar o osso —como os donos de cartórios.

A produtividade de nossas empresas tem se estagnado. A culpa aqui se espalha. Em grande parte, está com a política econômica de governos passados que priorizava grandes empresas, já estabelecidas, regando-as com dinheiro público via BNDES e deixando pouco espaço para a entrada de novos participantes no mercado. Mas também está com todos os governos brasileiros de ontem e hoje, que não conseguem facilitar a inovação e o empreendedorismo.

O investimento privado brasileiro é baixo demais para conseguirmos um crescimento mais rápido. Além dos empecilhos burocráticos, os problemas fiscais do país são relevantes para esse quadro, como a dívida explosiva e as promessas de aposentadorias inviáveis já citadas neste texto.

Quem vai querer expandir produção em um país cuja dívida está explodindo, onde se sabe que faltam recursos para infraestrutura e segurança pública? Na melhor das hipóteses, que já não é nada boa, teremos aumentos de impostos no futuro. Na pior delas, o colapso do Estado, e um espaço a ser ocupado em partes significativas do país por gangues e milícias que cobram seus próprios impostos.

A agenda para os próximos anos está posta.

Podemos sonhar com um Brasil onde o setor privado não encontra obstáculos burocráticos; onde as contas públicas não prenunciam uma catástrofe iminente; onde as pequenas e médias empresas competem de igual para igual com as grandes; em que bons tomadores de empréstimo conseguem crédito barato. Como resultado, o número de desempregados se reduziria mais rapidamente do que agora.

Publicado originalmente na Coluna do Por Quê? na Folha

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14 milhões de desempregados: a culpa é de quem?

desemprego economes porque.com.br A recuperação da economia brasileira segue. Como vai a passos de tartaruga, deve seguir ainda por muito tempo. Entre os primeiros trimestres de 2017 e 2018, a taxa de desemprego caiu de 13,7% para 13,1%, uma toada de 0,6% ao ano. Mantido esse ritmo, precisaremos de quase uma década para alcançar a taxa de desemprego anterior à recessão iniciada em 2014. São quase 14 milhões os brasileiros desempregados. Eles pagam um custo altíssimo pelas escolhas feitas durante a última década. Quando a maré estava favorável, gastamos demais; aumentamos os salários dos servidores públicos federais e postergamos a solução para a Previdência, responsável por boa parte do rombo nas contas públicas. Tomamos também decisões de investimento indefensáveis, como a refinaria Abreu e Lima, que foi considerada, em estudos da própria Petrobras, inviável mesmo em hipóteses mais otimistas. Quando a maré virou, ficamos com a conta dos direitos adquiridos dos aposentados, as refinarias inacabadas e elefantes brancos como o estádio Mané Garrincha, em Brasília, ou a Arena Pantanal, em Cuiabá. Já os empregos, estes foram embora... Para evitar crises futuras e agir para uma recuperação mais rápida, precisamos entender de quem é a culpa. Nosso setor de infraestrutura foi destruído quando suas práticas corruptas foram expostas pela Lava Jato. A culpa não é apenas dos executivos de empreiteiras que pagaram propinas, mas também dos políticos que as receberam e daqueles que não exerceram a prerrogativa de questionar a atuação do governo no poder. A atuação do Conselho de Administração da Petrobras também é de envergonhar. Se o Conselho da Petrobras exercesse suas obrigações, o saque ao patrimônio público teria sido muito menor. Nossos bancos não conseguem ou não querem emprestar a juros mais baratos. Medidas como o Cadastro Positivo, que facilitam a entrada de capital novo no setor de crédito e, muito provavelmente, levariam a uma redução de juros cobrados dos bons tomadores de empréstimos, são bloqueadas por políticos oportunistas e grupos de pressão pouco dispostos a largar o osso —como os donos de cartórios. A produtividade de nossas empresas tem se estagnado. A culpa aqui se espalha. Em grande parte, está com a política econômica de governos passados que priorizava grandes empresas, já estabelecidas, regando-as com dinheiro público via BNDES e deixando pouco espaço para a entrada de novos participantes no mercado. Mas também está com todos os governos brasileiros de ontem e hoje, que não conseguem facilitar a inovação e o empreendedorismo. O investimento privado brasileiro é baixo demais para conseguirmos um crescimento mais rápido. Além dos empecilhos burocráticos, os problemas fiscais do país são relevantes para esse quadro, como a dívida explosiva e as promessas de aposentadorias inviáveis já citadas neste texto. Quem vai querer expandir produção em um país cuja dívida está explodindo, onde se sabe que faltam recursos para infraestrutura e segurança pública? Na melhor das hipóteses, que já não é nada boa, teremos aumentos de impostos no futuro. Na pior delas, o colapso do Estado, e um espaço a ser ocupado em partes significativas do país por gangues e milícias que cobram seus próprios impostos. A agenda para os próximos anos está posta. Podemos sonhar com um Brasil onde o setor privado não encontra obstáculos burocráticos; onde as contas públicas não prenunciam uma catástrofe iminente; onde as pequenas e médias empresas competem de igual para igual com as grandes; em que bons tomadores de empréstimo conseguem crédito barato. Como resultado, o número de desempregados se reduziria mais rapidamente do que agora. Publicado originalmente na Coluna do Por Quê? na Folha Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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