As propostas de Nelson Marconi, economista próximo a Ciro Gomes

O professor da FGV-SP Nelson Marconi é o economista mais próximo de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência da República. Tem dado entrevistas e participado de seminários nessa condição. Analisamos abaixo os pontos de vista apresentados por ele sobre três temas fundamentais: Previdência; privatizações; e câmbio e indústria.

1. Previdência

Nelson Marconi afirma ser a favor de uma reforma previdenciária que imponha uma idade mínima. Defende também o fim dos privilégios de uma parcela do funcionalismo público. E menciona a ideia de inserir elementos do método de capitalização no sistema. Lembrando: na capitalização, a pessoa tem a sua própria conta, na qual deposita uma parcela de seus rendimentos, só podendo usufruir dessa poupança acumulada depois de determinada idade. Em resumo, é você contribuindo hoje para você no futuro. Além disso, Marconi enfatizou a necessidade de arrumar a casa fiscal e de trazer racionalidade para o sistema tributário.

Sobre a crise da Previdência, portanto, vemos com bons olhos as palavras de Marconi.

2. Privatização

Quando questionado sobre concessões de aeroportos, por exemplo, Nelson Marconi disse ser claramente a favor. Mas, fiel ao estilo heterodoxo, acrescentou que setores estratégicos não devem ser privatizados, o que tira Eletrobras e Petrobras da lista. No entanto, entendemos que não faz sentido riscar energia do grupo de privatizáveis por dois motivos: (1) corrupção e (2) ineficiência. Empresas estatais desse porte são presas fáceis de gente mal intencionada – está aí para todo mundo ver o papel crucial da Petrobras nos gigantescos esquemas de corrupção montados nos últimos anos no país. Isso para não falar na ineficiência pura e simples. Afinal, por inexplicável lerdeza, perdemos os ganhos potenciais associados ao pré-sal; por motivos políticos, compramos ativos que só deram prejuízo e congelamos preços para segurar artificialmente a inflação. A Petrobras se transformou num Leviatã obeso e endividado. Sim, a gestão atual é profissional, mas o que garante que seguirá assim? Só uma coisa: afastá-la das ávidas mãos do governante da vez.

3. Câmbio e Indústria

Governos não têm poder de determinar quais setores da economia vão para frente e quais vão para trás. Há 60 anos, mais da metade da população brasileira trabalhava no campo. Hoje, apenas 5% das pessoas continuam por lá. Hoje não se fabricam mais tantas velas como antigamente, nem máquinas de escrever. E se o governo tivesse incentivado esses setores lá atrás? Hum? Teria jogado nosso dinheiro no lixo. Nelson Marconi demonstra grande interesse pela indústria nacional, na contramão da teoria econômica. Veja: nada contra a indústria, nada mesmo. Mas nada a favor também. Discutir simplificação tributária? Ótimo! Estratégias para desenvolver mais os mercados de capitais? Maravilha! Melhorar a infraestrutura e nosso clima de negócios? Excelente! Aprimorar o capital humano nacional? Perfeito! Mas medidas para a indústria apenas? Isso não.

Marconi defende a velha saída por meio da taxa de câmbio. Mas o que isso significa é difícil de entender. O câmbio no Brasil de hoje já é flutuante, não é mantido artificialmente apreciado como entre 1995 e 1999. Quando o preço dos bens que importamos cai em dólar, a taxa cambial se deprecia e compensa a perda inicial dos exportadores. Trata-se de um maravilhoso estabilizador automático. Um câmbio artificialmente depreciado ajudaria parte da indústria, é verdade. E é possível pela intervenção nos mercados, por um tempo ao menos. Mas um real forçadamente mais fraco prejudicaria outra parte da economia nacional, aquela que usa intensivamente máquinas e insumos importados para produzir. E também prejudicaria o consumidor, que teria que pagar mais caro por diversos bens: os importados e aqueles que concorrem com os importados.

 
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