A força de políticas industriais ineficientes

Como vimos, a política industrial pode ser justificada em setores com alto retorno social – por exemplo, caracterizados por potencial inovador, capaz de tornar outras atividades mais produtivas. Ou em casos em que a indústria não se desenvolve em face à competição internacional e, nessas condições, precisa de um estímulo temporário para ganhar produtividade ao longo do tempo (argumento da indústria nascente).

Mas vemos diversos casos de empresas que gozam de apoio do governo e que, dificilmente, se encaixariam nessa definição. Há, por exemplo, setores tradicionais e estabelecidos há um bom tempo que não são particularmente inovadores ou que poderiam se encaixar na definição de indústria nascente. E, mesmo assim, recebem ajuda do governo.

Por que essas políticas aparentemente ineficientes podem ser implementadas e até persistirem durante um longo tempo?

Na verdade, a política industrial tem efeitos distributivos e há, portanto, ganhadores e perdedores. Quem ganha com esses estímulos dados pelo governo? As pessoas associadas ao setor incentivado: empresários do setor aumentam seus lucros e trabalhadores com habilidades específicas ao setor têm ganhos salariais – como o setor expande, a demanda por esses trabalhadores aumenta e seus salários são puxados para cima.

Ou seja, os ganhos são concentrados em um conjunto pequeno de pessoas. E cada um desses indivíduos tem muito a ganhar com a política industrial. Dessa forma, eles estarão dispostos a gastar tempo e dinheiro para pressionar políticos a levar a política em frente. Esse grupo também tende a ser homogêneo, isto é, seus interesses são alinhados, de modo que terão mais facilidade em se organizar para influenciar na escolha de políticas públicas.

As perdas associadas à política industrial, no entanto, são espalhadas em um grupo bem maior.

Suponha que a política seja realizada via subsídio a um setor qualquer. Nesse caso, o dinheiro do subsídio tem que vir de algum lugar - em geral, vem da arrecadação de impostos. O custo da política, portanto, recai sobre os contribuintes, um grupo bem maior e difuso. E como há um número grande de contribuintes, o custo individual tende a ser pequeno.

Algo similar acontece se a política for realizada com proteção tarifária. Mas essas barreiras ao comércio tornam os produtos do setor protegido mais caros e esse fato prejudica consumidores – mais uma vez, um grupo grande e difuso.

Nos dois casos, o grupo beneficiado pela política industrial tem todo o incentivo do mundo a lutar por sua implementação e manutenção. Mas o grupo prejudicado, apesar de mais numeroso, é bem heterogêneo e tem dificuldades de se organizar para barrar essas políticas. Algumas pessoas sequer ficam sabendo da existência delas. E como a perda individual tende a ser pequena e espalhada, elas têm pouco incentivo individual a lutar contra tais políticas.

Nesse sentido, o grupo pequeno e organizado tende a ganhar a queda de braço com o grupo grande e difuso. Resultado? Políticas ineficientes podem ser implementadas e persistirem por um longo tempo...

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