Estudo de caso: a Lei da Informática no Brasil

Nos anos 80 o governo brasileiro concedeu uma reserva de mercado aos produtores locais de microcomputadores – a importação estava basicamente proibida nesse setor. Isso implicava que só empresas locais poderiam vender legalmente microcomputadores. Claro, muita coisa para uso pessoal entrava como contrabando via Paraguai. Mas empresas maiores (que eram alvo de fiscalização) e o setor público tinham que comprar das empresas locais, o que garantia uma demanda cativa substancial para a indústria nacional.

Artigo acadêmico de Eduardo Luzio e Shane Greenstein avalia essa política à luz do argumento da indústria nascente, que discutimos no cartão anterior. Basicamente, uma condição necessária (mas não suficiente) para a política industrial fazer sentido é que os custos médios de produção internos no setor caiam mais rapidamente do que os custos das empresas estrangeiras. Isso ocorreria pois, à medida que a produção acumulada aumenta, o setor registra ganhos de produtividade, aproximando-se dos níveis de competitividade externos.

E isso deveria se refletir nos preços dos microcomputadores. Em particular, no período da reserva de mercado, deveríamos observar uma queda nesses preços aqui no Brasil, em comparação ao observado lá fora. Mas não é isso o que aconteceu.

Luzio e Greenstein mostram que os preços tanto aqui como no exterior diminuíram, mas não há evidência nenhuma de que os nossos preços caíram mais rápido. Os preços aqui eram bem mais altos e permaneceram assim durante o período em que a política esteve em ação. É uma evidência de que a política não deu certo. Os benefícios foram nulos, mas os custos enormes.

Pense só: quantas pessoas deixaram de ser expostas a computadores (por causa dos altos custos) nessa época, justamente quando eles começavam a se tornar essenciais no mercado de trabalho?

Realização

Bei editora

Apoio

CP+B
Usamos cookies por vários motivos, como manter o site do PQ? confiável ​​e seguro, personalizar conteúdo e anúncios,
fornecer recursos de mídia social e analisar como o site é usado. Para maiores informações clique aqui.