O argumento da indústria nascente

O argumento da indústria nascente fornece boa ilustração sobre os custos e benefícios da política industrial. No caso, a intervenção é especificamente via restrições ao comércio internacional no setor incentivado.

A ideia é a seguinte: à medida que a produção total do setor aumenta, as firmas passam por um processo de aprendizagem e descobrem técnicas novas, o que leva a ganhos de produtividade no tempo. E os ganhos de uma firma “transbordam” para as outras empresas do setor. Por exemplo, se uma firma desenvolve nova técnica de produção, essa descoberta beneficia não apenas a ela, mas as empresas do setor (ou seja, o retorno social é maior que o privado nessa atividade).

E esse efeito é dinâmico: quanto maior a produção acumulada no setor ao longo do tempo, maior o ganho de produtividade. Em particular, quanto maior a experiência de produção das firmas, maior o número de inovações e mais produtiva é a indústria como um todo. Dessa maneira, os custos do setor como um todo diminuem à medida que a tal produção acumulada se expande.

Pensemos na produção de computadores. No país determinado, essa indústria ainda não se desenvolveu. Isso implica que sua produção acumulada é baixa e os custos, portanto, elevados. No exterior, computadores são produzidos há mais tempo e, logo, os custos são bem menores.

A indústria local, dessa forma, será incapaz de competir com os computadores produzidos lá fora. Ela não se desenvolve e é, consequentemente, incapaz de colher os ganhos de produtividade à expansão da produção acumulada ao longo do tempo. A não ser que o governo dê uma mãozinha e torne a importação de computadores mais cara (com um imposto de importação, por exemplo).

A proteção do governo faz com que parte da demanda nacional seja atendida pelos produtores locais. A produção se expande e, ao longo do tempo, os custos de produção caem. Quando essa queda for suficientemente elevada para que o setor seja competitivo internacionalmente, a proteção pode ser retirada. O preço interno do computador, assim, aumenta inicialmente com a restrição ao comércio, mas cai ao longo do tempo à medida que o setor ganha produtividade.

Essa política vale a pena? Depende.

Devem ser ponderados custos e benefícios para a sociedade. Os custos envolvem (como antes) o deslocamento de fatores de outros setores produtivos para o setor protegido que, inicialmente, é pouco produtivo. Além disso, há um custo para os consumidores, que terão que pagar preços temporariamente mais elevados e comprarão menos – alguns até deixam de comprar o computador por conta do elevado custo.

Ou seja, para que a política valha a pena, é preciso que os custos de produção caiam substancialmente e rapidamente no tempo. E isso reduz o período de preços elevados. Em outras palavras, os ganhos de produtividade precisam ser suficientemente fortes para que os benefícios superem os custos sociais engendrados pela política.

E a conta de custo-benefício depende do tamanho do país. Países grandes levam vantagem: eles possuem mercados internos extensos, que passam a ser atendidos pela produção doméstica. A produção acumulada cresce rapidamente, propiciando ganhos de produtividade mais intensos. Para países pequenos, políticas desse tipo fazem menos sentido.

Outro ponto importante: essa discussão nos ensina que a proteção deve ser uma política temporária. Assim que os custos foram reduzidos a ponto de tornar o setor competitivo internacionalmente, não há mais sentido em continuar com a restrição à importação.

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